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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A face feminina de Deus

Deus ou deusa? Qual a verdadeira identidade do Senhor? Fato é que, em nossa percepção limitada do divino, tentamos reduzir a compreensão do absoluto através de uma simples comparação com a natureza material manifesta. Esforço tolo. Pois é a parte que emana do todo e não o contrario. Homem e mulher são resultado dessa emanação incompleta, divididos pela natureza da matéria da mesma forma que a luz do sol se divide no arco-íris.


Por esta compreensão, se masculino e feminino são partes equivalentes do mesmo todo, que é Deus, então a divindade há de possuir ambos os aspectos ao mesmo tempo. Isso se confirma no texto da Bíblia cristã quando se afirma que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus. Não se entenda aqui homem no sentido estrito do masculino, mas de ser humano, dotado de consciência plena e capacidade de inteligência e criatividade.



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Esse entendimento é reafirmado pela literatura védica hindu, pela personificação de Srimati Radharani, ou Radha. Deus é perfeito e infinito, e independente de tudo, pois tudo depende dEle. Por isso, Ele não necessita de consorte ou companheira. Assim, quando Deus, ou Krishna, deseja se sentir feliz, Ele se completa em si mesmo, expandindo sua potência. Essa potência é a própria Radha, a personificação da misericórdia do Senhor. Radha não é independente de Krishna, mas é uma só com Ele, a própria personificação de toda a beleza do amor de Deus. Por isso, Radha representa também o ideal de devoção, existindo unicamente para servir ao Senhor.


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Assim como Radha o é para os hindus, há, para os cristãos, a virgem Maria. Uma mulher que dedicou sua vida a servir à vontade de Deus e trazer o mundo a salvação através do Cristo. De acordo com os evangelhos, Maria foi tida mesmo pelos anjos como a "cheia de graça", e intercessora dos homens, uma vez que o próprio Cristo, como filho ideal, atendia aos pedidos de sua mãe, tal qual fez nas bodas de Canaã, onde, a pedido de Maria, Jesus realizou seu primeiro milagre.

Não apenas nessas duas religiões vemos o Senhor sentado ao lado de uma mulher: na antiga religião egípcia, Osiris tinha como consorte Isis; Os gregos, Zeus e Hera; Os nórdicos, Odin e Frigga, etc. Dessa forma, vemos sempre presente, em tantas religiões diferentes, a figura do masculino e feminino unidos na divindade. Apenas nossa percepção humana, deturpada pela ilusão do mundo material, faz-se incapaz de compreender a deidade em sua completude, una e absoluta. Da mesma forma que respeitamos Deus, então, a partir dessa visão, é necessário que passemos a respeitar a plenitude do divino, e seu reflexo, que são os homens e mulheres, macho e fêmea, deixando de lado as discussões sobre qual gênero é mais forte, ou qual é o mais digno de bênção, pois ambos são originários da mesma fonte criadora. Respeitar e louvar a união das partes; respeitar e louvar o todo, como o é.

Namaste!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Sobre os Sistemas de Religião

Em um mundo tão repleto de intolerâncias e violência, não é de se assombrar que qualquer fagulha lançada seja a centelha que falta para explodir o conflito. Graças à nossa falta de compreensão e cegueira material, não nos é fácil aceitar e respeitar a opinião que diverge da nossa. Assim, quando tratamos de religião, vemos uma realidade repleta de derramamento de sangue e disseminação de ódio por todo o globo. Quantas guerras não foram travadas por nome de Deus? Quantos não padeceram pela suposta vontade Dele? Nos livros sagrados, seja de qual religião esteja falando, a palavra é una em declarar que o verdadeiro sentido da vida e da religiosidade é amar a Deus sobre todas as coisas, e voltar-se de corpo, alma e coração a Ele. Religiões, tantas quanto possam existir, são como os muitos caminhos para o alto da mesma montanha - caminhos diferentes pois tratam de realidades políticas, sociais, geográficas e temporalmente distintas. Cada bíblia, cada livro sagrado foi escrito em seu tempo, retratando a realidade vivenciada por aquele povo, e um não está mais ou menos certo que o outro, pois a palavra de Deus é soberana a todas as coias e a todos os homens: a Verdade por trás da "roupagem" da religião é uma só - devotar sua vida de volta a Deus.

Assim, para dar ênfase a minhas palavras, deixo um vídeo, um ensinamento do mestre Nitai Pada, para que possamos refletir e aspirar a um pouco mais deste perfume celestial que é a compreensão sobre o Senhor de Tudo:


Namaste!


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A Meditação e as Forças Vibracionais

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A matéria vibra! Isso é bem sabido por todos os estudiosos das Físicas que regem nosso universo. Porém nunca se é questionado qual a influência que a vibração material impõe sobre nosso estado mental. Afinal, enquanto em estado corpóreo, estamos sujeitos a todas as influências que os sentidos nos proporcionam.

Ao longo de nosso corpo físico, encontramos os Chakras: pontos de conexão onde a energia que flui por nosso organismo se distribui para os órgãos e músculos. Dentre eles, há 7 chakras principais, quais estão localizados do topo da cabeça (7º) até a base da coluna (1º), cada um sendo responsável pela energia manifesta em cada setor de nosso corpo. Cada um destes pontos energéticos tem sua própria vibração, e uma vez desorganizado, pode ocasionar diversos problemas de saúde no indivíduo, seja física ou mental.

Para reorganizar essas vibrações, é necessário forçar o chakra a se realinhar e restabelecer sua vibração original. Para tanto, há diversos tratamentos que podem ser aplicados, dentre os quais está a meditação com mantras. Através dela, pronunciando o mantra de forma profunda e intensa, forçamos nosso corpo inteiro a vibrar naquela sintonia. Não precisa ser uma prece inteira: a simples evocação do mantra "ohm" profundamente durante um certo número de expirações já é o suficiente para aplacar a ansiedade momentânea. A longo prazo, a prática repetitiva de terapia meditacional com mantras é capaz de promover bem estar duradouro e barato ao praticante.

A maneira de praticá-la é simples: basta inspirar profundamente pelo nariz, sentindo o ar preencher seus pulmões, e, calmamente, expire, pronunciando "ohm" lenta e profundamente...Não precisa ser alto, mas apenas o necessário para sentir a vibração da sílaba. Deixe que essa vibração tome seu corpo, e lhe preencha. Repita esse processo por algumas vezes, ou com o auxílio de um japamala (colar de contas para meditação). O ritmo e o tom pode  ser imposto por você mesmo. É recomendável que a pronuncia durante o quanto de fôlego você possuir. Mas você também pode encontrar disponível na internet várias opções com músicas de fundo para você meditar em casa, onde deixo uma logo abaixo. Em casa, na rua, no ônibus ou no carro, não importa: meditar sempre, focando no momento presente, é um divino remédio contra os males da ansiedade, e alívio para as dores do corpo e da alma.


Namaste!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sobre a Origem dos Vícios

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Apegar-se às coisas é de nossa natureza material. Querer algo ou alguém que nos faz sentir bem, sempre perto de nós é um desejo muito sensato. Mas, enrustida em uma máscara de sensatez, está o vício - uma necessidade corrosiva de ter o objeto de nossos desejos, tão intensa nos consome e nos lança em depressão quando este o falta. Um cigarro, uma bebida, um  beijo, uma carícia, uma noite de paixão... Quando a necessidade pelo prazer leva à angústia de não o ter, é porque passou da hora de ponderar nossos desejos.

Uma vez preso ao vício, libertar-se é uma guerra árdua, diária, e intensa. Quanto mais tempo de negação, ignorando que nossa atitude está nos fazendo mau, mais doloroso é deixar o hábito. Abnegar-nos do objeto de desejo é recebido por nós com violência, várias vezes nos levando à recaída. Isso porque "tirar o doce da criança" não é libertá-la da vontade de comê-lo. Para isso, é preciso abandonar o próprio desejo, o que só pode ser feito quando passamos a compreender sua origem.


Eis que a origem dos desejos não está o objeto, em sua forma exterior. A origem de nosso vício não está na bebida, ou no sexo, ou seja qual for o hábito. Estes são apenas os instrumentos. A verdadeira origem jaz em nosso íntimo - na vontade de sentir o prazer que o instrumento proporciona. Pergunte-se: por que eu bebo? Por que eu me entrego a tal sensação? E não se conforme com "porque é bom". Por que é bom? Indague-se. Compreenda as raízes de suas emoções. Conhecer-se é o verdadeiro caminho para libertar-se. Se toma um punhado de grama nas mãos e arranca-lhe as folhas, ela torna a crescer pois a raiz permanece. Encontre a raiz do desejo e contemple-a. Uma vez que esta for curada, assim será também o vício e o desejo. Por isso, medite sobre si mesmo. Medite sobre seus sentimentos. Sobre seus apegos e paixões. Dominar-se a si mesmo. Redundante, mas não coisa simples de se fazer, tampouco impossível.

Namaste!

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O Barco

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A vida é como um longo rio, correndo infinito sempre em frente. O passado não volta, porque o rio não inverte seu curso. A natureza é constante em sua própria impermanência, sempre seguindo, se desfazendo e refazendo. Logo, as coisas que tanto amamos em nosso presente, breve, tornam-se passado, e em nossa incapacidade de se habituar a segurar as coisas com mãos frouxas, apegamo-nos ao transitório e sofremos quando ele se vai. Sofremos ainda mais quando nos deparamos com a triste realidade da partida de quem mais amamos, seja pela morte ou pela própria separação.

Como disse, a vida é como um longo rio, sempre a correr, e nossa existência é como a estadia em um belo cruzeiro. Ela não começou aqui, nem terminará aqui. Estamos apenas nesse barco. Neste lugar, entorpecemo-nos com os sentidos, gozando dos prazeres que a matéria nos fornece. Enquanto estamos presos a este corpo, estamos sob seu poder, enfeitiçados por sua magia de sentir com tanta intensidade, por isso, vida após vida, nossa memória se evanesce um pouco mais da verdade: o barco não é o fim em si mesmo, é apenas o meio pelo qual cumprimos nossa jornada - o corpo não é você, é apenas seu veículo. Você é algo muito maior, uma centelha da própria existência de Deus, o princípio e fim último de todas as coisas.

Temer a morte e sofrer pelas perdas não é o natural da vida. É o natural para nosso estado apegado, arraigado ao corpo. Treinar nossa mente é preciso para resistir ao fascínio dos sentidos, reconhecendo que todas as sensações são passageiras, aproveitando o que temos enquanto temos, agradecendo por isso e deixando-o partir quando a hora for, guardando na memória cada momento não para sofrer, mas para ser grato por tudo o que se viveu e aprender com cada experiência que a vida nos proporciona. Não devemos temer os prazeres de estarmos vivos. Devemos, sim, saboreá-los como uma dádiva do Senhor, sem jamais nos esquecer de qual é o verdadeiro fim de todas as coisas. Assim se desenvolve o serviço devocional e o desapego às coisas do mundo.

Namaste!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O Sofrimento e a busca pelo acalanto

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Para todo aquele que vive neste mundo, cruzar por momentos de dor e sofrimento é um fato inevitável da existência. Não há calmaria ou tranquilidade perfeita em nossas vidas porque este mundo e tudo o que há nele é transitório, pois transitória é a natureza da matéria. Isso é um fato que não podemos mudar... Não podemos impedir o tempo de passar, tampouco podemos impedir a natureza de seguir seu curso. Tudo que há no universo manifesto obedece a esta lei. Assim, sofremos. E é comum que, nesses momentos tão delicados de nossas vidas, quando nossos nervos já estão à flor da pele e nossos sentimentos, retorcidos, sintamo-nos desamparados e sozinhos. O mundo inteiro perde o sentido por alguns instantes, e as pessoas que passam por nós simplesmente não parecem notar a nossa angústia. Às vezes, olhamos alguém nos olhos, por um mero segundo, buscando algum consolo num olhar complacente, mas tudo o que vemos é indiferença, e, no mesmo instante em que se cruzaram, os mesmos olhos se afastam, cada um a mirar no que lhe apraz. O sofrimento nos faz questionar muitas coisas, principalmente se alguém se importa conosco. Mais que isso: se Deus existe, por que ele nos permite sofrer? Por que Deus se porta tão apático à dor do mundo?

Antes de questionar a omissão de atitudes divinas para sanar nossos lamentos, devemos ter em mente o seguinte: uma vez que somos almas conscientes de nossa própria existência, tomamos para nós o direito do arbítrio sobre nossas ações. Dessa forma, é nossa escolha como agiremos defronte cada situação de nossa vida. Sabedor disso, face ao sofrimento, cabe ao homem erguer sua cabeça. Deus penetra a todos os seres, e conhece a todos em seu mais íntimo pesar. Ele não é insensível às dores do homem. O homem que é insensível aos desígnios de Deus. O homem não sofre porque Deus quer, ou porque Deus assim o ordenou. O homem sofre pelo fruto de seu próprio karma, pelas consequências de suas próprias ações, boas ou más, e por estar apegado a estes frutos. Aquele que deposita todas as suas ações no divino não sofre porque ele está consciente de que os frutos que advierem não serão jamais seus, mas do Senhor, e por isso ele apenas segue seu caminho segundo Sua vontade. E quando cruza os mares de sofrimento, sabe que Deus não o abandonou, tampouco assiste ao seu sofrimento em silêncio.

Deus está sempre atento ao que acontece conosco, observando-nos pacientemente até o momento em que voltemos nosso olhar ao Dele. Nele reside a força que buscamos para transpor quaisquer barreiras. Mas, para fazer uso dessa força, o homem precisa despertar seu coração para a divindade e a divindade em seu coração. Quando este e Deus forem unos, o sofrimento cessa, pois não há mais frutos cármicos, tampouco está o homem sujeito à transitoriedade das coisas, pois estará agora situado na permanência do divino.

Namaste!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Uma versão bela do Maha Mantra - "Enjoy In Krishna" por Mahanta Das



«Om ajñāna-timirāndhasya jñānāñjana-śalākayā
cakṣur unmīlitam yena tasmai śrī-gurave namaḥ»
(Nasci na mais densa ignorancia, e meu Senhor abriu meus olhos com a tocha da Verdade. A Ele, ofereço minha respeitosa reverência - 
I was born in the darkest ignorance, and my spiritual master opened my eyes with the knowledge's torch. I give him my respectful bow)
«He kṛṣṇa karuṇā-sindho dīna-bandho jagat-pate
gopeśa gopikā-kānta rādha-kānta namo ´stu te»
(Oh meu bom Deus! És o amigo dos que sofrem e fonte de toda criação. És o Senhor das Gopis e esposo de Radharani. A Ti, ofereço minha respeitosa reverência. - Oh my dear Krishna! You're the grief-stricken's friend and the creation's fountain. You're the gopīs master and Rādhārāṇī lover. I give You my respectful bow.)
«Hare-Kṛṣṇa-hare-Kṛṣṇa
Kṛṣṇa-Kṛṣṇa-hare-hare
hare-rāma-hare-rāma
rāma-rāma-hare-hare»
(Glória a Deus, glória a Deus
Oh Deus, oh Deus, glória, glória!
Glória ao Senhor, glória ao Senhor
Oh Senhor, oh Senhor, glória, glória! - Oh Lord's energy, I want to be on Your service)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

A Potência Kali Interior

A Potência Kali Interior


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Dentro do hinduísmo e dos vedas, há muitos deuses e formas de divindade. Mas, dentre tantos, uma em especial chama a atenção por sua presença constante em nossa vida - esta é Maa Kali, a Mãe Negra.

Conta a história que, há muito tempo, havia um temível demônio que enganou o grande Deva Shiva após uma longa meditação, passando-se por seu servo. Admirado com tamanha devoção, o senhor Shiva concedeu ao demônio uma graça, para que, de cada gota de seu sangue, milhares de outros iguais a ele nasceriam. Usando-se de tal poder, o demônio assolou o mundo com terror e morte. Irado por ter sido iludido pela criatura, Shiva juntou toda a sua ira, e rogou aos outros deuses que emanassem suas energias junto a ele. Assim, nasceu Kali, terrível e brutal. Armada com a força de todos os deuses, ela partiu à luta. Em sua fúria, destruiu tudo quanto havia em seu caminho sem sequer se indagar se era inimigo ou aliado. Decapitou todos os demônios e, com suas cabeças, fez um colar o qual usou como ornamento, e bebeu de cada um o seu sangue para que não mais renascessem. Entorpecida pelo calor da batalha e o sabor da vitória, ela começou uma dança frenética, pisoteando os cadáveres de seus oponentes caídos, e é dito que, a cada passo que dava, todos os mundos estremeciam e homem e mulheres desesperavam-se em terror e medo. Vendo isso, Shiva se lançou aos pés de Kali para que ela cessasse sua ira. Quando percebeu que pisoteava o deus Shiva, ela voltou a si e tornou a sua calma.

Kali, então, faz-se como a representação de nossa natureza material mais bárbara e brutal. Ela representa o nosso desejo físico, nosso aspecto mundano, e nossa força interior. Ela não é uma entidade de maldade, mas sim e força em seu sentido mais bruto. Ela vive dentro de cada um de nós, e no mundo a nossa volta. Kali é a força que nos prende a esse mundo e nos cega, não por ser negativa no mal sentido da palavra, mas porque, assim como Kali estava eufórica na batalha contra o demônio, nós estamos eufóricos no gozo de nossos sentidos físicos. Kali é a representação desses sentidos. Ela é a personificação de todos os prazeres mundanos e do desejo material que entorpece o espírito e o prende à vida terrena. Não se deve enfrentar nossa Kali interior de forma direta. Para nos libertarmos desse êxtase material, dessa euforia mundana, devemos aprender a reconhecer a Kali dentro de nós, e aprender a respeitar a sua força. Reconhecer, não alimentar. Pois compreendendo-a e aprendendo a aceitá-la, despertaremos para a sua origem, assim como Kali despertou após pisotear Shiva. Conhecendo-a, podemos então compreender a divindade por trás dela, sua Fonte Primeira, e nos voltarmos novamente a Deus.

Negar a Kali é fortalecê-la, da mesma forma que um homem que nega seu pecado, peca duas vezes, a primeira por cometer o ato e a segunda, por mentir sobre ele. Mas o homem que reconhece e aceita seu pecado, que reconhece e aceita seus desejos materiais, e os respeita, reconhece seus erros e está pronto para mudar. Ele não voltará a cometê-los por ignorância. Busquemos então compreender o que somos como o somos. Somente assim pode o ser libertar-se de sua própria natureza material.

Namaste!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Dos Prazeres e o Desejo

Dos Prazeres e o Desejo


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Buscamos a felicidade como meta última em nossa existência. O ser que vive tende a este comportamento por própria natureza, sempre procurando por aquilo que lhe faz sentir bem. Sentir prazer, assim, faz-se um objetivo em cada atividade: ver coisas bonitas, tocar coisas agradáveis, ouvir coisas boas, cheirar bons perfumes, comer coisas gostosas... O desejo é como uma máquina poderosa, que nos move, nos tira de nosso sono, nossa inércia, e nos lança numa busca sem fim pela sensação do prazer, seja por qual forma ele se manifeste. Essa máquina é a responsável por nossa evolução física e material, que nos tira de nossa zona de conforto para galgar nossos objetivos. Ironicamente, também é a nossa prisão.

O prazer é o que nos cega para a verdade da vida. Buscamos tanto pelo gozo dos sentidos que abandonamos a realidade para nos focar no futuro, quando desfrutaremos de um prazer, ou nos perdemos no passado, relembrando outros momentos de satisfação. E, enquanto não estamos imersos neste gozo, sofremos e nos sentimos vazios, incompletos, dispostos a buscar novamente algo que nos faça sentir bem. Assim nos afundamos num ciclo vicioso de nascimentos, vida após vida, impossibilitados de prosseguir por estarmos presos neste mundo material, presos à vontade de sentir novamente aquele segundo de êxtase perfeito... Cegos pelo desejo, ficamos aprisionados na carne, e tudo isto nos parece normal.

É impossível ser feliz enquanto se estiver preso na busca pelo desejo. Pois todo prazer deste mundo é passageiro, pois passageira é a natureza material. Logo, toda sensação de gozo que sentimos irá esvanecer eventualmente, e seremos consumidos pelo desejo eterno de alimentar o próprio desejo. Quanto mais nos entregamos a isto, mais forte este ciclo se perfaz em nossa vida. E quebrá-lo não é fácil... Mas apenas fora dele é que podemos encontrar uma verdadeira felicidade.

Felicidade não consiste num momento. Ela não pode ser alcançada pela mera satisfação dos sentidos. Para alcançá-la, precisa-se de uma plenitude espiritual. Felicidade é um delicado equilíbrio entre o bem estar do corpo e da alma. Se alimentarmos apenas o desejo material, não haverá satisfação do espírito. Tampouco podemos estar bem se vivermos unicamente para a alma, esquecendo de manter o corpo físico. Reconhecendo isto, precisamos quebrar a prisão do desejo. Este processo não é fácil, mas é possível - não devemos alimentá-lo. Reconhecê-lo, apenas. E focar nossa mente em outro ponto. Uma mente fraca não é capaz de se libertar, por isso, é preciso treiná-la. Treiná-la para permanecer no momento presente, e não se perder em devaneios, memórias e pensamentos estranhos. Treiná-la para alcançar o nirvana - a libertação da matéria, através do desapego gradual da raiz de todo sofrimento mundano: o desejo. Para isso, não negue sua natureza - reconheça-a. Aceite-a. Mas não alimente - mude seu foco.

Namaste!