![]() |
| Imagem retirada do Google |
A vida é como um longo rio, correndo infinito sempre em frente. O passado não volta, porque o rio não inverte seu curso. A natureza é constante em sua própria impermanência, sempre seguindo, se desfazendo e refazendo. Logo, as coisas que tanto amamos em nosso presente, breve, tornam-se passado, e em nossa incapacidade de se habituar a segurar as coisas com mãos frouxas, apegamo-nos ao transitório e sofremos quando ele se vai. Sofremos ainda mais quando nos deparamos com a triste realidade da partida de quem mais amamos, seja pela morte ou pela própria separação.
Como disse, a vida é como um longo rio, sempre a correr, e nossa existência é como a estadia em um belo cruzeiro. Ela não começou aqui, nem terminará aqui. Estamos apenas nesse barco. Neste lugar, entorpecemo-nos com os sentidos, gozando dos prazeres que a matéria nos fornece. Enquanto estamos presos a este corpo, estamos sob seu poder, enfeitiçados por sua magia de sentir com tanta intensidade, por isso, vida após vida, nossa memória se evanesce um pouco mais da verdade: o barco não é o fim em si mesmo, é apenas o meio pelo qual cumprimos nossa jornada - o corpo não é você, é apenas seu veículo. Você é algo muito maior, uma centelha da própria existência de Deus, o princípio e fim último de todas as coisas.
Temer a morte e sofrer pelas perdas não é o natural da vida. É o natural para nosso estado apegado, arraigado ao corpo. Treinar nossa mente é preciso para resistir ao fascínio dos sentidos, reconhecendo que todas as sensações são passageiras, aproveitando o que temos enquanto temos, agradecendo por isso e deixando-o partir quando a hora for, guardando na memória cada momento não para sofrer, mas para ser grato por tudo o que se viveu e aprender com cada experiência que a vida nos proporciona. Não devemos temer os prazeres de estarmos vivos. Devemos, sim, saboreá-los como uma dádiva do Senhor, sem jamais nos esquecer de qual é o verdadeiro fim de todas as coisas. Assim se desenvolve o serviço devocional e o desapego às coisas do mundo.
Namaste!

Nenhum comentário:
Postar um comentário