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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O Rosário da Verdade


Imagem retirada do Google
Dentro de muitas religiões e filosofias, é comum a prática da meditação, e, em muitas dessas práticas, instrumentos são usados para ajudar a manter o foco - os rosários. Sempre que nos referimos a "rosário", vêm à mente o catolicismo. Contudo, faz saber, tal instrumento teve sua origem na Índia, através do "Japamala". "Japa" significa "repetição" e "mala", "colar". Logo, japamala significa colar de repetições, nome que define sua função - ajudando a manter o foco na repetição de uma oração durante o ato de meditar.

O rosário, então, é um ciclo. Ele tem o seu começo, percorre por algum tempo, e logo acha seu fim. Da mesma forma, é a vida: nós iniciamos em certo ponto, e traçamos o nosso caminho, até chegarmos em nosso final. Assim como um japamala, nós somos seres cíclicos. Reconhecer a finitude de nossa existência diante deste mundo é um passo necessário para nos estabelecermos no Nirvana - o cessar do sofrimento. Reconhecer esta finitude e aceitá-la nos permite transcorrer nosso caminho de forma mais leve, mais feliz, pois assim não deixaremos desperdiçar a grande dádiva do momento presente, deixando para trás os lamentos passados de coisas que jamais irão voltar e aprendendo a sermos pacientes com o que ainda há de vir. Pois um rosário não é rezado de trás para frente - seu movimento é sempre adiante, conta após conta, assim como nossa existência. Somos fadados a isso - a estarmos aqui por um tempo, e logo não estaremos mais. Por tanto, é importante lembrar que, o que se foi, já se foi. A conta do rosário não volta, nem o tempo passado.

Também precisamos reconhecer que o rosário chega ao fim, então não adianta termos pressa com a vida - ela passa naturalmente. Ficarmos focados no que há de vir nos cega para o agora, e logo esse momento não existirá mais. Em pouco tempo, a ansiedade pelo futuro se torna angústia pelo passado que não foi aproveitado corretamente. Se entende isso, então, não se afobe! Viva a conta do agora, viva o momento em que está, se bom ou se ruim, a certeza é de que ele também será passageiro, assim como todas as coisas da vida. Por isso, para vivermos em paz conosco mesmos e com o mundo ao nosso redor, devemos aprender a "segurar as coisas com mãos frouxas". Ou seja, aprender a encontrar a felicidade do momento presente, mas deixá-la ir quando ela se for, como areia fina escorrendo pelas mãos - você não pode segurá-la para sempre, então deixe-a ir. E quando a dor vier, faça o mesmo - sinta o memento, depois deixe-o ir. Não se apegue à felicidade nem ao sofrimento, nem à alegria ou à dor. Deixe o ciclo fluir, pois ele está sempre fluindo, independente de nossa vontade. Aceite-o, e aprenda com ele. Nós somos o verdadeiro rosário.

Namaste!