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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O Sofrimento e a busca pelo acalanto

Imagem retirada do Google
Para todo aquele que vive neste mundo, cruzar por momentos de dor e sofrimento é um fato inevitável da existência. Não há calmaria ou tranquilidade perfeita em nossas vidas porque este mundo e tudo o que há nele é transitório, pois transitória é a natureza da matéria. Isso é um fato que não podemos mudar... Não podemos impedir o tempo de passar, tampouco podemos impedir a natureza de seguir seu curso. Tudo que há no universo manifesto obedece a esta lei. Assim, sofremos. E é comum que, nesses momentos tão delicados de nossas vidas, quando nossos nervos já estão à flor da pele e nossos sentimentos, retorcidos, sintamo-nos desamparados e sozinhos. O mundo inteiro perde o sentido por alguns instantes, e as pessoas que passam por nós simplesmente não parecem notar a nossa angústia. Às vezes, olhamos alguém nos olhos, por um mero segundo, buscando algum consolo num olhar complacente, mas tudo o que vemos é indiferença, e, no mesmo instante em que se cruzaram, os mesmos olhos se afastam, cada um a mirar no que lhe apraz. O sofrimento nos faz questionar muitas coisas, principalmente se alguém se importa conosco. Mais que isso: se Deus existe, por que ele nos permite sofrer? Por que Deus se porta tão apático à dor do mundo?

Antes de questionar a omissão de atitudes divinas para sanar nossos lamentos, devemos ter em mente o seguinte: uma vez que somos almas conscientes de nossa própria existência, tomamos para nós o direito do arbítrio sobre nossas ações. Dessa forma, é nossa escolha como agiremos defronte cada situação de nossa vida. Sabedor disso, face ao sofrimento, cabe ao homem erguer sua cabeça. Deus penetra a todos os seres, e conhece a todos em seu mais íntimo pesar. Ele não é insensível às dores do homem. O homem que é insensível aos desígnios de Deus. O homem não sofre porque Deus quer, ou porque Deus assim o ordenou. O homem sofre pelo fruto de seu próprio karma, pelas consequências de suas próprias ações, boas ou más, e por estar apegado a estes frutos. Aquele que deposita todas as suas ações no divino não sofre porque ele está consciente de que os frutos que advierem não serão jamais seus, mas do Senhor, e por isso ele apenas segue seu caminho segundo Sua vontade. E quando cruza os mares de sofrimento, sabe que Deus não o abandonou, tampouco assiste ao seu sofrimento em silêncio.

Deus está sempre atento ao que acontece conosco, observando-nos pacientemente até o momento em que voltemos nosso olhar ao Dele. Nele reside a força que buscamos para transpor quaisquer barreiras. Mas, para fazer uso dessa força, o homem precisa despertar seu coração para a divindade e a divindade em seu coração. Quando este e Deus forem unos, o sofrimento cessa, pois não há mais frutos cármicos, tampouco está o homem sujeito à transitoriedade das coisas, pois estará agora situado na permanência do divino.

Namaste!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Uma versão bela do Maha Mantra - "Enjoy In Krishna" por Mahanta Das



«Om ajñāna-timirāndhasya jñānāñjana-śalākayā
cakṣur unmīlitam yena tasmai śrī-gurave namaḥ»
(Nasci na mais densa ignorancia, e meu Senhor abriu meus olhos com a tocha da Verdade. A Ele, ofereço minha respeitosa reverência - 
I was born in the darkest ignorance, and my spiritual master opened my eyes with the knowledge's torch. I give him my respectful bow)
«He kṛṣṇa karuṇā-sindho dīna-bandho jagat-pate
gopeśa gopikā-kānta rādha-kānta namo ´stu te»
(Oh meu bom Deus! És o amigo dos que sofrem e fonte de toda criação. És o Senhor das Gopis e esposo de Radharani. A Ti, ofereço minha respeitosa reverência. - Oh my dear Krishna! You're the grief-stricken's friend and the creation's fountain. You're the gopīs master and Rādhārāṇī lover. I give You my respectful bow.)
«Hare-Kṛṣṇa-hare-Kṛṣṇa
Kṛṣṇa-Kṛṣṇa-hare-hare
hare-rāma-hare-rāma
rāma-rāma-hare-hare»
(Glória a Deus, glória a Deus
Oh Deus, oh Deus, glória, glória!
Glória ao Senhor, glória ao Senhor
Oh Senhor, oh Senhor, glória, glória! - Oh Lord's energy, I want to be on Your service)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

A Potência Kali Interior

A Potência Kali Interior


Imagem retirada do Google
Dentro do hinduísmo e dos vedas, há muitos deuses e formas de divindade. Mas, dentre tantos, uma em especial chama a atenção por sua presença constante em nossa vida - esta é Maa Kali, a Mãe Negra.

Conta a história que, há muito tempo, havia um temível demônio que enganou o grande Deva Shiva após uma longa meditação, passando-se por seu servo. Admirado com tamanha devoção, o senhor Shiva concedeu ao demônio uma graça, para que, de cada gota de seu sangue, milhares de outros iguais a ele nasceriam. Usando-se de tal poder, o demônio assolou o mundo com terror e morte. Irado por ter sido iludido pela criatura, Shiva juntou toda a sua ira, e rogou aos outros deuses que emanassem suas energias junto a ele. Assim, nasceu Kali, terrível e brutal. Armada com a força de todos os deuses, ela partiu à luta. Em sua fúria, destruiu tudo quanto havia em seu caminho sem sequer se indagar se era inimigo ou aliado. Decapitou todos os demônios e, com suas cabeças, fez um colar o qual usou como ornamento, e bebeu de cada um o seu sangue para que não mais renascessem. Entorpecida pelo calor da batalha e o sabor da vitória, ela começou uma dança frenética, pisoteando os cadáveres de seus oponentes caídos, e é dito que, a cada passo que dava, todos os mundos estremeciam e homem e mulheres desesperavam-se em terror e medo. Vendo isso, Shiva se lançou aos pés de Kali para que ela cessasse sua ira. Quando percebeu que pisoteava o deus Shiva, ela voltou a si e tornou a sua calma.

Kali, então, faz-se como a representação de nossa natureza material mais bárbara e brutal. Ela representa o nosso desejo físico, nosso aspecto mundano, e nossa força interior. Ela não é uma entidade de maldade, mas sim e força em seu sentido mais bruto. Ela vive dentro de cada um de nós, e no mundo a nossa volta. Kali é a força que nos prende a esse mundo e nos cega, não por ser negativa no mal sentido da palavra, mas porque, assim como Kali estava eufórica na batalha contra o demônio, nós estamos eufóricos no gozo de nossos sentidos físicos. Kali é a representação desses sentidos. Ela é a personificação de todos os prazeres mundanos e do desejo material que entorpece o espírito e o prende à vida terrena. Não se deve enfrentar nossa Kali interior de forma direta. Para nos libertarmos desse êxtase material, dessa euforia mundana, devemos aprender a reconhecer a Kali dentro de nós, e aprender a respeitar a sua força. Reconhecer, não alimentar. Pois compreendendo-a e aprendendo a aceitá-la, despertaremos para a sua origem, assim como Kali despertou após pisotear Shiva. Conhecendo-a, podemos então compreender a divindade por trás dela, sua Fonte Primeira, e nos voltarmos novamente a Deus.

Negar a Kali é fortalecê-la, da mesma forma que um homem que nega seu pecado, peca duas vezes, a primeira por cometer o ato e a segunda, por mentir sobre ele. Mas o homem que reconhece e aceita seu pecado, que reconhece e aceita seus desejos materiais, e os respeita, reconhece seus erros e está pronto para mudar. Ele não voltará a cometê-los por ignorância. Busquemos então compreender o que somos como o somos. Somente assim pode o ser libertar-se de sua própria natureza material.

Namaste!