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segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Verdade da Vida


Imagem retirada do Google
Há, para aqueles que existem nesse mundo, uma relutância em aceitar a inconstância da vida. Há, para estes, um temor no amanhã. Para quem existe neste mundo, ter sucesso em sua carreira terrena, juntar bem materiais e estender sua existência ao máximo. O medo do sofrimento, da dor e da morte atormenta os corações levando muitos a buscar até mesmo uma falsa ideia de religião. Louvar a Deus para o sucesso na vida terrena. Louvar a Deus para morrer e ir para um lugar melhor. E nem por isso, a vida se torna mais feliz, pois ainda assim, o medo do amanhã permanece, e o desejo de não partir desta existência continua a dominar.

A verdade sobre este mundo é que nada nele é real. Real é aquilo que permanece, que não se altera, independente dos fatores. Isso é o absoluto. Pensando desta forma, não há nada neste universo material que o seja assim. Tudo nesta terra é transitório, e existe em constante mudança. Esta vida é como as nuvens ao céu: sempre se deformando e se reconstruindo ao vento. Tudo o que há, há apenas neste momento, no presente. Basta você parar para pensar em sua infância: muito daquilo que era, que havia naquele tempo, hoje não existe mais. Pessoas se foram, lojas fecharam, escolas mudaram, prédios foram demolidos, reformados e construídos. Você mesmo não é a mesma pessoa. Ideias, sonhos e vontades que você tinha, não tem mais. Suas prioridades mudaram. Você mudou. Ainda assim, de alguma forma, você se sente o mesmo...

Tudo neste mundo é transitório. Inclusive nós mesmo. Somos feitos de matéria, e a matéria se degrada. É necessário que estejamos sempre conscientes disto: logo, iremos partir. Se você sente seu coração encher de pesar ao pensar nestas palavras, então você sofre, pois está apegado a esta existência. Você deve deixá-la. Aprender a segurar as coisas "com as mãos frouxas". Desapegar significa reconhecer que nada neste mundo lhe pertence. Isso se percebe quando você passa a perceber que, quando se for, nada deste mundo levará consigo. Logo, não há nada seu. Tudo o que existe pertence à Criação. Mesmo seu corpo não é seu - é apenas um pedaço de carne que você tomou emprestado para existir aqui neste momento. Logo, você terá de devolvê-lo. E para onde irá depois disso? Existe vida além da morte?

Já foi falado em outro momento, mas vale lembrar. Há uma lei neste universo - a conservação das massas - que comprova isto. A morte é apenas uma passagem. Você é feito de matéria, e matéria é basicamente energia. Quando morrer, seu corpo será degradado, e sua energia reaproveitada pela natureza, e logo você continuará a existir, da mesma maneira que você já existia, apenas mudando de forma. Aceite isto, aceite a transitoriedade da vida. Isto é necessário para que você se liberte da ilusão da matéria.

Namaste!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Das Doenças da Mente e a Meditação


Imagem retirada do Google
Assunto muito em foco nos dias atuais, a saúde mental vem tomando cada vez mais destaque no tocante aos cuidados da pessoa. Não apenas na sociedade atual, mas principalmente na sociedade ocidental, as disfunções da psiquê estão se agravando de forma alarmante. Há poucos anos atrás, não havia tanta preocupação, não apenas porque muitas dessas doenças não eram conhecidas mas porque o próprio estilo de vida era diferente. Ansiedade, depressão, estresse e fobias eram males que afetavam a população em um grau menor.

Esse crescimento pode ser atribuído à agressividade do mundo moderno. Informações são veiculadas em uma velocidade impressionante, e absorvidas por nós a todo momento! Esse movimento intenso de informação degrada pouco a pouco nossa capacidade de manter o foco em uma atividade apenas, e enfraquece nossa concentração, por conseguinte, nosso equilíbrio mental. Essa instabilidade é o princípio básico para que se instalem as moléstias da mente, e os sintomas são fáceis de serem notados - uma pessoa que não consegue ler ou estudar sem deixar ligada música ou TV próximo; não consegue ficar em casa sem que algum aparelho eletrônico esteja ligado fazendo barulho; não consegue sequer ficar sentado, parado por meia hora em algum lugar, sem estar fazendo alguma coisa. Esses são sintomas básicos, fáceis de serem notados em uma pessoa ansiosa.

Tais moléstias, como foi dito, nascem da fraqueza da mente do homem. Costuma-se dizer que a mente é como um macaco - inquieta, sempre procurando um novo galho para pousar, mudando de pensamento em pensamento, nunca parada. Quando essa mente não possui a disciplina, ela domina a pessoa e a destrói pouco a pouco, como o músculo sem treino se torna flácido e fraco, e desprotege o osso, deixando-o quebrar. Assim como nosso corpo físico, é necessário que fortaleçamos a nossa mente para que possamos nos prevenir das mazelas psíquicas e não nos perdermos nas paixões mundanas. Para esse domínio, a ferramente mais hábil já descoberta é a meditação. Focar no momento presente.

Para meditarmos, é necessário que tenhamos sempre em mente o seguinte: não há lugar ideal, não há hora ideal, não há maneira ideal. Não é necessário que você se isole no meio de uma mata, e sente-se em posições desconfortáveis e siga a risca um modelo prescrito. Se essa é a sua primeira experiência e você tenta seguir um plano ióguico extremo, meus parabéns - é o primeiro passo para o fracasso. Assim como uma criança birrenta, a mente é teimosa e não obedece de forma instantânea. É necessário treino. Busque um lugar confortável, onde você se sinta bem. Aconselho sob uma árvore, em um parque por ser um lugar tranquilo mas não desesperador para pessoas ansiosas. Também não tente limpar a mente de todos os pensamentos, não é possível fazer isso quando não se tem experiência. Você deve entender que sua mente é única, e para desenvolver a meditação você precisa conhecer a si mesmo. Então, ao invés de tentar forçar sua mente ao vaio, busque uma âncora, algo que lhe ajude a manter seu foco: ouça o vento balançar as árvores e sinta o vento lhe tocar, sinta o pulsar de seu próprio coração, o ar entrando em seus pulmões, a terra sob você. Sinta a vida fluir. Sinta a si mesmo. Sinta o divino em si e no universo ao seu redor. Isto é momento presente. Não há um tempo ideal. Você pode determinar esse tempo, da mesma forma que alguém treinando para uma maratona determina o tempo da corrida. Pratique isso, se puder, todos os dias, ou em dias alternados. Vença a preguiça e faça. Não demorará muito para que sinta os efeitos dessa terapia. Sinta e verá!

Namaste!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O Eu e o Outro


Imagem retirada do Google
À medida em que vamos vivendo em sociedade, vamos nos sujeitando a diversas regras de conduta. Cada situação pede de nós uma forma de comportamento que conduz as nossas ações e palavras. Conviver significa sujeitar-se a esses preceitos. Nem sempre isso é fácil. Dentro de cada um de nós existe uma força rebelde que urge, compelindo-nos a agir de forma diferente. Para alguns, essa força é ainda mais intensa. Na psicologia, é chamada de "ID", nossa parte primitiva, guiada apenas pelo prazer das ações; Para a ciência veda, é "prakti", ou "modo da natureza", e estes são três: o modo da ignorância, o da paixão e o da bondade. Todos nós possuímos estas três energias, estas três formas de prakti dentro de nós, sendo muitas vezes dominado por uma delas.

Para aqueles que estão no modo da ignorância, a vida é apenas isto que parece. Para estes, não há nada além da natureza que os cerca, nada além do mundo material. São pessoas de pouca evolução espiritual, céticas ou mesmo ateístas, cuja meta única da vida se resume ao vazio de existir. O modo da paixão é a predominante naqueles cuja vida é uma eterna festa, e sua única forma de ter paz é viver para o prazer. Esta prakti é a própria força do hedonismo absoluto. Já o modo da bondade é a característica daqueles que estão em um plano espiritual elevado. Essa energia é fortemente presente naqueles que se abstém dos prazeres mundanos e dos que enveredam por caminhos religiosos e de não-violência.

Conforme foi dito antes, todos possuímos estas três energias, contudo, uma ou outra estará mais exacerbada ou mais visível em nosso modo de ser. Às vezes, por inúmeras razões, uma pessoa pode tentar mudar a sua prakti, por exemplo, alguém que é dominado pela energia da paixão tenta se abster dos prazeres carnais. Isso pode acontecer, digamos, quando um homem ou mulher de sexualidade muito ativa decide se casar, ou tomar para si votos de castidade. A vida conjugal ou casta começara a lhe parecer um martírio! Uma vez negada, a nossa natureza se torna um monstro dentro de nós. Quando tentamos refrear um impulso, ele se torna mais forte. Se tentarmos dizer não a uma vontade, coo a uma criança pequena, ela irá nos quebrar por dentro. Por isso é tão difícil deixar um vício. Mas não é impossível.

Repetindo mais uma vez, todos nós temos as três forma da prakti dentro de nós. Para mudarmos nossa forma de ser, precisamos mudar nossa prakti, não negá-la. Mudar o foco. Se te da vontade de beber, não lute contra ela: mude seu foco! Terapias ocupacionais, yoga, atividade física, meditação... Mude o rumo de seu pensamento. A energia é como um rio, se você tentar enfrentá-lo direto, criando uma barreira para tentar bloqueá-lo, a barreira pode romper, e você recair no seu vício. Por isso, não crie uma barreira - crie um desvio! Se você tem sua religiosidade, devote suas ações à divindade. Se não tem e não quer buscar, então mude suas ações para algo mais saudável. Ninguém pode negar sua própria natureza, mas qualquer um pode dominá-la. Tudo o que precisa é de força de vontade, determinação e (mudança de) foco.

Namaste!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Entre a Devoção e o Prazer


Imagem retirada do Google
Hoje, deitado em minha cama, com meu filho pequeno ao meu lado, tive uma clareza em meus pensamentos. Desde pequeno, posso me considerar privilegiado pois sempre me foi muito simples compreender a espiritualidade, por isso, nunca entendi muito bem porque as pessoas questionam tanto os propósitos de Deus, ou sua existência. Mas, quando estava com aquela pequena criatura a quem chamo de filho, adoentado por uma gripe, dormindo ao meu lado, pude entender: é muito mais fácil amar a um filho do que a Deus. Melhorando este pensamento - é muito mais fácil amar ao mundo do que a Deus!

Amar a Deus exige devoção sublime - o mundo, não. O mundo está ao nosso redor, nós o experimentamos a todo momento, em tudo o que fazemos, de uma forma tão poderosa que ela entorpece nossos sentidos de forma inimaginável! O mundo é encantador, pois ele é percebido plenamente através de nossos sentidos corpóreos, e estes sentidos, você não precisa despertar. Você já nasce vendo, já nasce ouvindo, já nasce provando, cheirando e tocando, exceto, é claro, em exceções de pessoas especiais. Ainda assim, mesmo estas, ainda experimentam do mundo em outras formas. Por isso, o mundo parece tão sedutor.

Já a Deus, não. Deus só pode ser experimentado quando nos permitimos a isso. Quando despertamos esse novo sentido. Para experimentar a Deus, é preciso se entregar a Ele. É preciso buscá-Lo. O que não é necessário com o mundo, vez que ele vem a nós naturalmente. Não existe Religião do Mundo porque nós já estamos ligados a ele. Religião é para nos ligarmos a Deus. Assim, sendo tão fácil viver no mundo, é claro que é mais fácil amar e adorá-lo do que à Divindade. É mais proveitoso a nós agradar aos prazeres do corpo, pois não precisamos do sacrifício do espírito.

Contudo, ao desperto não cabe enveredar pelo caminho dos prazeres mundanos. Àquele que conhece o vazio de existir nesse mundo sabe que, na matéria, não há outra coisa senão a morte. É necessário o Divino em nossas vidas, não para aplacar o medo do desconhecido ou do pós vida, mas porque somente através Dele podemos conhecer a plenitude do existir. Somente através de experimentar o serviço devocional podemos nos livrar do Samsara e encontrar a paz do Nirvana.

Namaste!