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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014



Andar o Próprio Caminho


















"Ninguém nos salva senão nós mesmos. Ninguém pode nem deve fazê-lo. Nós, por nós mesmos, devemos trilhar o caminho" - Buda.

Ao ler este ensinamento, cuidado! Entenda primeiro que budismo não é religião, mas filosofia. Budismo não trata do "religare", da busca pela reconexão com o divino, mas com a conexão com nós mesmos. Buda não trata de Deus, ou de deuses, nem diz o caminho para se chegar a ele, e por uma razão simples e óbvia - religar-se com Deus é da intimidade de cada um. Somente você sabe o que sente, e somente você sabe como pode chegar a Deus. Por isto, este caminho, Buda deixou livre para que você o trilhe.

Quando ele diz "nós, por nós mesmos, devemos trilhar o caminho", ele não está negando a Deus. Nenhum ensinamento budista nega a religião. Mas ele está nos lembrando de que é nosso o Livre Arbítrio, segundo a lei cármica. Você pode ser evangélico, católico, espírita kardecista ou umbandista, não importa. Não será o que você diz crer que lhe "salvará", ou que lhe guiará ao bom caminho - são seus próprios passos! Por mais que você entregue sua vida nas mãos de Deus, Ele não agirá por você. Ele já lhe deu a inteligência e a força para encontrar o caminho Dele e perseverar seguindo neste caminho, mas quem deve andar é você! Deus pode intervir na sua vida com toda a Sua potência, e guiar os teus passos, mas se não moveres teus pés, jamais sairá do mesmo lugar. Deus não vai mover o chão sob teus pés - Ele te dará a força para andar pelo caminho. Então lembre-se - somos nós que devemos trilhar o caminho! Agarre-se na sua fé, se tiver uma, agarre-se a Deus da maneira que só você O sente. Mas nunca espere que a salvação venha até você só por isso. O que lhe salvará serão suas atitudes. Então, haja!

Namaste!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Limite das Virtudes



"A bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade. Porque a paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência. Porque a serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença. Porque a tolerância que nunca replica não é tolerância: é imbecilidade". Somos humanos, e por isso, experimentamos o "sentir". Sentir raiva, sentir ansiedade, sentir medo... Tudo isso faz parte do processo de existir. Para isso, precisamos educar nossas mentes e corações, pois, à medida que nos entregamos a estes sentimentos, damos mais passos em direção ao sofrer. Por tanto, bondade, paciência, serenidade e tolerância para com os outros é preciso em face de nos tornarmos criaturas melhores. Porém existirá um limite para esses sentimentos?


Há um provérbio chinês que diz "Wu ji bi fan" - "quando algo chega ao extremo, torna-se seu oposto". Essa frase se tornou popular graças ao filme Karate Kid (2010), embora ela realmente exista de verdade. Ao praticarmos qualquer atitude, devemos sempre buscar um equilíbrio, vez que o extremo é perigoso. Isso é em todos os momentos da vida - na religião, na fala, nos comportamentos... Se levamos uma prática religiosa ao extremo, corremos o risco de nos tornarmos fanáticos e passarmos a disseminar ódio entre aqueles não-praticantes, quando na verdade os mandamentos divinos de qualquer religião indicam que disseminemos o amor, do mesmo modo que, se não nos esforçamos para seguir, nossa fé se torna apenas "de boca". Também quando buscamos praticar um comportamento correto, se somos muito duros com nós mesmos e os outros, encontraremos a frustração sempre que nos depararmos com o erro ou quando não conseguirmos conter nossos atos, da mesma forma que, se não nos esforçarmos, jamais agiremos pelo caminho correto. Logo, qualquer virtude, mesmo a paciência e a tolerância, deve ser comedida.

Na prática do "Caminho do Meio", devemos sempre buscar a conduta correta, e ensinar essa conduta àqueles que estão ao nosso redor. Devemos sempre, também, respeitar a nós mesmos e aos outros. Compreenda que todos são falhos, inclusive você. E durante a caminhada da vida, tropeçar nas pedras do caminho é inevitável. Não há um que exista nesse mundo que não tenha sofrido nem que não irá sofrer. A dor faz parte do viver. O que precisamos aprender é que ela é apenas uma parte, e não o todo - que, ao tropeçarmos em uma pedra, sempre poderemos nos levantar e continuar nosso caminho, sem ficar preso àquele tombo. Momento presente é isto. É reconhecer que a vida segue, mesmo que cometamos nossos erros. Sempre que errar, aceite que errou, assim poderá aprender mais com sua atitude e seguir adiante, evitando tropeços mais à frente.

Em nossa conduta, esse caminho do meio também se aplica à prática das virtudes. Ser sempre bom, tolerante e paciente com o outro não significa aceitar tudo o que lhe fazem em silêncio. Em uma formação moral razoável, aprendemos que, quando uma pessoa lhe pratica uma ofensa, não devemos revidá-la com outra ofensa. É verdade... Mas também não devemos nos silenciar diante disto! Quando nos tornamos passivos diante do mau, não estamos evitando o sofrimento - estamos o intensificando. Se algo nos incomoda, a primeira atitude que devemos tomar é falar. Se não resolve, então busquemos outro meio de resolver. Se podemos, então, que nos afastemos da causa de nosso sofrimento. Mas, se não podemos, então, vamos compreender a causa. Assim, saberemos qual o melhor caminho para resolvê-la. Pergunte "por que sofro?", e tente entender o que te machuca, e o porque dele te machucar. Ser bom, paciente e tolerante não é se calar diante da dor, mas sim usar de sua inteligência para resolver o conflito sem provocar mais dor a si mesmo ou ao outro.

Namaste!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Do Nirvana e Os Seis Sansaras


Pela crença budista, há seis mundos onde uma pessoa pode nascer. Cada um de nós carrega consigo a energia de nossos karmas (ações). Existimos, logo cada um de nossos atos modela nosso caminho. Esses atos determinam o fruto de nossos karmas, se bons ou maus... Logo, diante desses frutos, passaremos a existir em um desses sansaras.

O primeiro sansara é o Mundo Celestial, um reino de felicidades e paz onde nascem aqueles cujo karma é bom. Embora seja belíssimo em seus deleites, é um mundo perigoso, pois um mero pensamento impuro pode lançá-lo para outro sansara. O segundo sansara é o Mundo dos Homens, um mondo onde nascem aqueles que estão apegados a seus sentimentos e suas vidas. Os que nascem nesse mundo sofrem a inconstância do existir, passando por momentos felizes e tristes, mas também tem mais chances para se conscientizarem de seu estado cármico. O terceiro sansara é o Mundo Sangrento, onde vão aqueles cuja inveja e ira governa seus corações e atitudes, vivendo em uma eterna batalha. É um mundo triste, cheio de morte e violência. Aqueles que aqui nascem não podem gozar de uma vida tranquila, nem mesmo de um sono pacífico, pois são eternamente perseguidos pela avareza e sede de poder, e o medo de perder a vida. O quarto sansara, o Mundo das Feras, é para onde vão os que vivem desregrados, por seus instintos. O quinto sansara, Mundo dos Espíritos Famintos, é um reino de sofrimento onde habitam aqueles que perderam sua vida em prazeres mundanos. Os que aqui nascem sofrem pela fome e sede insaciável. É certamente um dos mais temíveis nascimentos... E o último, o sexto sansara, é um Mundo Inferior, ou Infernal, onde aqueles cujo karma é ruim devem colher os frutos de seus atos, até que seu karma se equilibre e possa renascer em outro mundo.

O ciclo de nascimento nestes sansaras não é, de fato, eterno. Nasceremos em cada mundo de acordo com nosso karma. Mas, quando nos desapegamos por completo dos frutos de nosso karma, deixaremos de nascer, e atingiremos o nirvana.

Quando um ser chega em seu estágio de despertar, e percebe os seis sansaras, ele compreende a essência do karma. Em fazer isso, ele, pouco a pouco, se desprende desta lei, iluminando-se da verdade, e deixando para trás esse infindável ciclo de nascimentos e mortes que é o sansara. Quando isso acontece, ele se livra de todos os frutos do karma, e por isso, não mais volta a nascer em qualquer um destes mundos. Assim, encontrou o Nirvana - o estado de "não-mente". E qual caminho levará ao Nirvana? É simples - o Momento Presente. É nele que está a resposta.

Namaste!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Momento Presente


Para abrir esta postagem, deixo uma parábola que ouvi certa vez: "belo dia, um monge iniciante veio ao seu mestre. Seu coração estava cheio de dúvidas a cerca do que aprendia, então, indagou ao seu superior - 'o que é a vida, mestre? Quem sou eu? O que é o eu? O que é o divino?' Diante de tantas perguntas, o mestre apenas sorriu e o convidou à mesa, dizendo - 'vamos tomar esta caneca de chá, que logo você entenderá todas as respostas'. E por longos momentos, os dois ficaram ali, apreciando o chá enquanto os pássaros cantavam e o vento acordava as flores e seus aromas. Ao fim, o monge se levantou ainda mais intrigado. 'Mestre, eu agradeço pelo chá, mas e quanto às minhas perguntas?'. O mestre então respondeu-lhe 'ora, meu jovem? Mas eu já acabei de lhe responder!'"

A primeira vez que li este conto, eu não o entendi. Só depois de algum tempo, as coisas me passaram a fazer sentido. O segredo está no "momento presente". Muitas vezes, em nossas correrias cotidianas, esquecemo-nos da beleza do agora. Por vezes, resumimos nosso existir a correr atrás de prazos e a lamentar pelas horas perdidas em vão. Se você sofre disso, então STOP! Pare agora! Respire o presente, e encontrará as respostas absolutas para todas as suas questões. Eu apenas vim compreender isto quando parei para contemplá-lo de fato. Não vale a pena sofrer por águas passadas, pois o passado é uma miragem criada pelo nosso apego a coisas que se foram. Ele não existe de verdade. Ele apenas existe em nosso coração e nossa mente. Já o futuro, pior ainda, este ainda nem está pronto! O futuro ainda nem mesmo existe... Tudo o que temos está aqui - no agora! Quem é você? O que é o eu? Deus existe ou não? Todas estas e outras perguntas, pare de perguntá-las, respire, e contemple o agora. Não julgue. Não se prenda. Apenas contemple... E verá a resposta surgir em seu coração. Viver o presente é respirar. Viver o presente é se tornar consciente da própria existência. Quando viver o presente, entenderá o desapego, e estará mais perto de se livrar do sofrimento.

Namaste!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Karma e O Sansara


Existe destino em nossas vidas? O que é "destino"? E "livre-arbítrio"? Será que estas duas forças podem coexistir? É fato que existimos, e estamos conscientes desse fato. Por isso, temos o poder de tomar nossas próprias decisões e trilhar o caminho conforme nossa vontade. Isso é livre-arbítrio. A partir do momento em que uma escolha é feita, uma atitude, praticada, a Lei do Karma se manifesta. Imagine como um grande lago inerte, as águas plácidas, imóveis. Então, você age. Sua ação cria uma perturbação na água e as ondulações aparecem. Causa e consequência. Isso é a lei do karma - toda ação que você cria, mental ou física, gera uma consequência positiva ou negativa, a depender de sua própria ação. Boas ações geram bom karma; más ações, o mau karma. O Karma é uma lei implacável, da qual ninguém pode escapar. Karma não é a consequência de nossa ações - ele é a lei. O karma não são as ondas no lago, ele é o próprio lago!

Assim, a partir do momento em que estamos sob a lei do karma, podemos entender que estamos também sob a direção de um "destino". Tomamos nossas próprias decisões, e nossas próprias escolhas, e com isso, criamos para nós consequências involuntárias das quais não podemos conter ou controlar.

À medida em que nos encontramos sob a lei cármica, deparamo-nos com o Sansara - o ciclo infindável de nascimentos e mortes pelo qual uma pessoa deve passar. Em outro tópico, falei sobre a Alegoria da Geleira. Nós vivemos, crescemos, e morremos, nossa energia retorna para o universo até então renascer em outro corpo. A este ciclo, damos o nome de sansara. Compreendendo que cada atitude nossa manifesta frutos cármicos bons ou ruins, podemos entender porque algumas pessoas nascem mais felizes ou afortunadas do que outras - se passamos uma vida de bons frutos e boas ações, mesmo após a morte, nosso karma continuará a nos seguir, e em nosso próximo nascimento, traremos conosco ainda a felicidade de nosso viver anterior. Mas se nossos frutos não são bons, renasceremos com karmas mais infelizes, passando por mais sofrimentos. Para aqueles que compreendem esta verdade, ficam mais próximos de se libertar do sofrimento. O processo de Despertar e Iluminação passa pela compreensão do Sansara e a aceitação do Karma para, então, purificá-lo e extingui-lo. Só assim, encontraremos a Paz Espiritual Absoluta do Nirvana budista ou do Céu cristão.

Namaste!

sábado, 18 de janeiro de 2014

Dos Três Temores e A Alegoria da Geleira


Dentro de nosso sofrimento, há três grandes temores que nos assombram. A Doença, A Velhice e A Morte. Por nosso apego aos momentos, tememos por nossa existência e repudiamos a ideia de perdermos nossa saúde, envelhecermos, e findarmos nossa existência. Algumas pessoas inclusive chegam a se entregarem a uma vida desregrada em busca de todo o prazer que conseguirem consumir, pois acham que assim, quando chegar o momento inevitável da morte, suas vidas não teriam sido tão vazias. E não o são? Pois, para estas pessoas, só existe o vazio - qual o sentido de viver se, no final de tudo, resta o nada?

A verdade é que existir é uma passagem. Agora estamos aqui, e, logo mais, já não estaremos. Agora, estamos saudáveis, mas logo vem a doença. Agora estamos felizes, mas não demora para ela acabar... Essa existência é inconstante. Por isso, não devemos nos apegar. Devemos sim aproveitar cada momento à medida que eles nos vem, mas sem se prender a eles, e saber dizer "adeus" quando o momento se for.

E então, a vida acaba? Claro que não. A morte não é o fim, é apenas outro estágio de nossa passagem. Será? Enquanto estávamos na escola, aprendemos que Energia não se perde nem se cria, apenas se transforma. E também que, na matéria, existe energia. Assim, podemos dizer que cada um de nós tem uma energia interior. Alguns a chamam de "alma", outros de "espírito", ou "karma"... Não importa. Deixemos de lado a concepção religiosa, e vejamos os fatos - a energia existe. Assim, quando morremos, se energia não se perde, a nossa também não se perderá. Ela voltará ao mundo, será absolvida pela terra e pelas plantas, e pelos animais... Eventualmente, um dia ela volta a ser uma outra pessoa, um novo ser. Essa pessoa não é você, mas ela foi criada com uma energia que um dia foi sua. Então, ela e você estão ligados de alguma forma. Por isso, você não deixa de existir. Você continuará sempre existindo como uma parte dela...

Encaremos a existência como uma geleira no alto da montanha. O gelo é você. O gelo está eternamente se derretendo... Assim como nossa vida está passando. E pouco a pouco, escorremos pelo rio da vida até o dia em quem o gelo se derrete por completo, e nós "morremos". Mas o gelo não desapareceu de verdade. Ele apenas se tornou água. E a água volta a evaporar, e se transforma em chuva, e a chuva banha novamente o alto da montanha, e a água se torna gelo novamente. Assim, o gelo que um dia se desfez volta ao topo da montanha. O gelo não é o mesmo de antes, mas é feito da mesma água.

Assim é nossa vida. Um eterno ciclo. Nossa energia vem do mundo em que vivemos, e das pessoas que aqui viveram no passado. Através de nós, elas continuam a existir. Nós não somos o mesmo que nossa energia era em vidas passadas. Mas essa energia continua a existir através de nós. Assim como nossa energia continuará a existir no futuro. Se pensarmos assim, compreenderemos que a morte é apenas mais uma das ilusões do mundo. Ela não representa um fim, mas apenas outra passagem. Aceitemos isso, e o sofrimento, pouco a pouco, deixará nosso coração.

Namaste!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Moola Mantra


"Mantra" significa "postura da mente". Através da repetição de um mantra, podemos aprender a dominar a nossa mente e nossa conduta. De origem no hinduísmo e budismo, a maioria são orações cantadas em sânscrito (antiga língua indiana). Existem centenas de diferentes mantras, e podem ser facilmente encontrados em muitas versões, clássicas ou modernas. Sua utilização na meditação é uma excelente forma de ajudar no relaxamento e induzir a um estado de tranquilidade mental.

Moola Mantra é um dos meus mantras favoritos, assim como o Gayatri Mantra. Deixo aqui minha versão favorita do Moola por Deva Premal, bem como minha versão de seu significado:



Om
Sat Chit Ananda Parabrahma
Purushothama Paramatma
Sri Bhagavathi Sametha
Sri Bhagavathe Namaha

Hari om tat sat

"Om" é a mais pura evocação divina. Refere-se ao Universo e à criação. Segundo a bíblia cristã, em Gênesis, diz-se que Deus criou o universo a partir do verbo. Na visão hindu, este verbo foi o "Om".

Sat chit ananda parabrahma - Divino criador, consciência amorfa de puro amor e alegria
Purushothama Paramatma - O qual veio ao mundo como um homem, e cuja voz guia meu espírito sempre que lhe clamo
Sri Bhagavathi Sametha - Juntos, a Divina Mãe
Sri Bhagavathe Namaha - e o Divino Pai eternos, eu vos honro, louvo e respeito

Hari om tat sat! - És a Verdade Absoluta!

Namaste!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

As Correntes do Sofrimento


Por que sofremos? São muitas as causas, mas sua razão pode ser quase sempre encontrada em uma palavra - o Apego. A vida em si é constituída por curtos e efêmeros momentos. Por sua própria natureza passageira, criamos em nós um sentimento de apego aos momentos. Sentimos saudade de coisas boas que se passaram, pessoas que se foram, tempos que se perderam. E também há o apego ao futuro, onde sentimos ansiedade pelas coisas que ainda estão por vir! De uma forma ou de outra, sofremos. Sofremos porque nem podemos trazer de volta o que se foi, nem adiantar o que há de vir.

Por essa natureza ilusória, a vida com o apego nós lança em um mar de dor e sofrimento infindável. Você chora porque algo que aconteceu não vai mais acontecer, e, depois que percebe que estava perdendo tempo sofrendo pelo passado, sofre ainda mais por ter perdido tempo! Ou sofre pela ansiedade do futuro, e quando percebe que perdeu as oportunidades que existiam no presente, sofre por não ter aproveitado mais o que tinha nas mãos.

Sofremos porque as pessoas que mais amamos, um dia se vão da nossa vida. E porque a felicidade também, uma hora, se esvai.

Sofremos porque vivemos na ilusão. Despertemos! A vida é passageira. Sempre foi e sempre será. Como um rio cujas águas estão em eterna corredeira. Não há passado nem futuro. Há apenas o presente. E o sofrimento somente cessará quando você se desapegar das correntes da ilusão e enxergar o momento presente. Momento presente - é aqui onde habita a verdadeira sabedoria e paz de espírito.

Namaste!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Jamais menospreze coisa alguma. Uma verdadeira lição pode vir de qualquer lugar. Pode vir de um bom amigo, ou de seu pior inimigo. Pode vir de uma formiga, ou mesmo de uma tartaruga em um desenho animado. Não menospreze.

"Ontem é história,
Amanhã é um mistério,
Mas hoje é uma dádiva,

É por isso que é chamado 'Presente'."

- Mestre Oogway

Namaste!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Dos Despertos


O que é estar "desperto"? Tomando aqui uma definição do budismo, desperto é aquele que abriu os olhos para a ignorância, aquele que se desfaz das amarras de Mara (Ilusão). Este mundo é repleto de ilusões e ignorância... E, por estarmos imersos nesse mar de mentiras e falsas concepções, nós sofremos. Sofremos por nossa solidão, sofremos pela morte daqueles que amamos, sofremos pela dor da perda de algo estimado e tantas coisas. Sofremos até mesmo porque estamos sofrendo! Desperto, então, é aquele que consegue abrir os olhos e deixar essa ilusão para trás. Desperto é quem consegue se despir do sofrimento.

Mas como pode alguém despertar? Para aqueles que se encontram no Complexo do Patinho Feio, a estes já posso dizer - você já está despertando! Pois, para despertar, você precisa, antes de tudo, se questionar. Há um ditado que diz: há três tipo de sofredores - aquele que não sabe e não pergunta; aquele que sabe e não pratica; e aquele que sabe mas não ensina. Logo, para sair do patamar de "sofredor", primeiro é preciso perguntar para saber, e então praticar para, por fim, ensinar. Só assim, estaremos livres do sofrimento.

Namaste!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Os Deslocados



Muitas pessoas experimentam a sensação de serem postas de lado pelos outros. Muitas delas, por terem pensamentos e expressarem posturas diferenciadas, são excluídas de um grupo social. Esse deslocamento é comum para quem sofre o Complexo do Patinho Feio... E, com isso, muitas chegam a desenvolver um quadro depressivo. Um jovem que prefere passar suas noites em casa, assistindo um filme ou mesmo estudando pode ser não tão bem recebido por seus colegas de sala. Um homem que diz que não gosta de carros ou futebol muitas vezes é ridicularizado pela maioria. Tudo porque um jovem atingiu a consciência de que lhe seria mais proveitoso permanecer em casa ao invés de farrear com os colegas, ou porque o homem percebeu que o futebol nada teria a lhe acrescentar e carros degradam o meio ambiente e isso não lhe parece interessante. Essa sensação de deslocamento é comum em pessoas cuja consciência se encontra em processo de "despertar".

Despertar é perceber a verdade do mundo a nossa volta. É também perceber o mundo dentro de nós, e mais ainda - o mundo dentro do outro! Esse processo é diferenciado de cada pessoa para cada pessoa, mas quase sempre se incia por uma pergunta, por algo que estala nossa mente e aguça nossa curiosidade para conhecer o que está além de nossos olhos... E, quando começamos a despertar, a primeira verdade e mais assustadora que percebemos é esta: estamos sozinhos. Sozinhos porque passamos a nos perguntar coisas que a maioria das pessoas não quer perguntar. Sozinhos porque surgem ideias que outras pessoas não compreendem! Parece que não há ninguém no mundo que nos compreende. E isso dá medo!

É importante que você saiba que não está sozinho. Paciência é importante. Quando isso aconteceu comigo, eu tinha seis anos... Passei a minha infância e adolescência preso a essa solidão, acreditando que não podia contar com minha família, nem com a maioria dos meus "amigos". Sempre que eu começava a falar sobre "como seria ver o mundo pelos olhos de outra pessoa?", eles se afastavam ou diziam "deixa de bobagem...". Eu achava que o mundo não queria saber da minha opinião. Mas isso não é verdade. Um dia eu percebi que estava longe de estar sozinho! Primeiramente, eu tinha a mim mesmo. E meus amigos, amigos de verdade, sempre estiveram lá. Meus familiares também. Sim, é verdade, eles não estavam compreendendo o que havia comigo... Mas a verdade é que eu também não sabia explicar. Então, calma! Respire fundo e paciência. Estar deslocado, ou se sentir deslocado, significa que você simplesmente não está no lugar certo. Por isso, acalme sua mente, que você vai ver o seu verdadeiro lugar - o canto que pertence a você. Mas, primeiro, você precisa encontrar esse cantinho de paz dentro de seu próprio coração... O resto, simplesmente vem.

Namaste!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O Complexo do Patinho Feio


Quem não conhece a história do Patinho Feio? Era uma vez um patinho que vivia triste pelos cantos, pois era visto pelos outros como o diferente. Era repudiado por seus irmãos e mesmo por sua mãe, que mal suportava olhar para ele. Todos viviam a comentar e maldar sobre a feiura daquele pobre pato.  Ninguém queria ser seu amigo. E qualquer um que olhasse para ele só poderia pensar uma coisa: como ele é estranho! E assim o patinho cresceu, vivendo dia após dia em sua triste solidão... Até o dia em que olhou para o céu e viu vários cisnes voando, e os admirou: "Que belos são eles!". Mas logo abaixou sua cabeça, triste por lembrar de sua própria feiura... Foi quando viu seu reflexo no lago, e espantou-se! Pois durante todos esses anos, preso à sua tristeza, jamais parou para admirar quem ele realmente era e perceber a verdade mais simples: ele jamais foi um pato - ele era um cisne!

Claro que essa é a minha versão do conto, mas o que vale aqui é sentido da coisa: há muitas pessoas que sofrem na vida o Complexo do Patinho Feio. (hã?) É isso mesmo. São pessoas que veem a vida com olhos diferentes, e que acreditam em coisas diferentes do usual, que vivem por princípios que são estranhos à maioria das pessoas. Pessoas que, por suas crenças e ideias, são estranhos à sociedade, e assim como o "patinho" do conto, são repudiadas e diminuídas. Algumas dessas pessoas tem a graça de se olhar no espelho um dia, e perceber que é verdade, elas são diferentes - em uma sociedade de patos, elas são os cisnes! E assim encontram refúgio na grandeza de si mesmos, tornando-se um diferencial na sociedade. Pessoas como Sidarta Gautama (O Buda), como Jesus Cristo, como Nelson Mandela e Gandhi. Todas elas passaram por isso em algum momento - foram olhadas com estranheza, tratadas com aspereza e tidas como loucas por aqueles que não conseguem compreender a grandeza por trás desses nomes.

Quando uma pessoa chega a um certo nível de consciência, ela passa a ser encarada com estranheza. Até por falta de compreensão das pessoas ao seu redor, passa a ser escanteada, mal olhada, e chega até a acreditar que o problema está nela. Só que não. Isso acontece, por exemplo, quando em uma família de carnívoros, o filho mais novo chega e diz "quero me tornar vegetariano". É muito comum ele ser olhado com estranheza, e sofrer piadinhas e brincadeiras do resto do grupo. Mas ele está errado? Ele chegou ao nível de consciência onde percebeu que comer carne não era bom para si, seja por convicções religiosas ou pessoais. Por não compreender isso, a sociedade passa a o tratar como um "patinho feio".

Jamais tenha vergonha ou medo de assumir as convicções que seu coração sabe serem certas. Não deixe que o peso dos olhares de estranheza dos outros tirem o brilho de suas ações. Se você sabe que é certo, faça! Pois, como diz a frase, "o certo é o certo, mesmo que ninguém esteja fazendo. O errado é errado, mesmo que todo mundo esteja fazendo". Viva pelo certo, pois a única pessoa que vai prestar contas por suas ações é você mesmo. Não tenha medo de ser o cisne. Não tenha medo de ser você.

Namaste!

Bem Vindos!


A todos os que visitam este blog, meus cumprimentos!

Às vezes, enquanto caminhamos por essa existência, acabamos por nos deparar com perguntas que nos tiram  a paz. Alguns de nós, durante essa transitória caminhada, passam por uma terrível fase de solidão enquanto, em suas mentes, dúvidas sobre questões de vida consomem suas almas. Quem sou? O que sou? Por que sou? De onde vim e para onde vou? Céu e inferno? Deus existe? Quem é Deus? O que é Deus?... Acho que cada um de nós tem a sua própria pergunta e seu próprio dilema. Não sou nenhum mestre, nem ouso me declarar detentor de alguma verdade. A única verdade que ofereço é aquela que sinto, fruto de minhas experiências e reflexões que passei na vida. Então, se você acha que está sozinho, e que ninguém mais no mundo é capaz de lhe compreender, seja bem vindo! Espero que minhas palavras possam lhe trazer um pouco de conforto e ajudar a encontrar a resposta que busca. Se não, se você é apenas alguém que tropeçou por acaso aqui, também seja bem vindo! Leia a vontade e deixe sua opinião. E, a todos vocês, uma boa leitura!

Namaste!