Deus ou deusa? Qual a verdadeira identidade do Senhor? Fato é que, em nossa percepção limitada do divino, tentamos reduzir a compreensão do absoluto através de uma simples comparação com a natureza material manifesta. Esforço tolo. Pois é a parte que emana do todo e não o contrario. Homem e mulher são resultado dessa emanação incompleta, divididos pela natureza da matéria da mesma forma que a luz do sol se divide no arco-íris.
Por esta compreensão, se masculino e feminino são partes equivalentes do mesmo todo, que é Deus, então a divindade há de possuir ambos os aspectos ao mesmo tempo. Isso se confirma no texto da Bíblia cristã quando se afirma que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus. Não se entenda aqui homem no sentido estrito do masculino, mas de ser humano, dotado de consciência plena e capacidade de inteligência e criatividade.
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Esse entendimento é reafirmado pela literatura védica hindu, pela personificação de Srimati Radharani, ou Radha. Deus é perfeito e infinito, e independente de tudo, pois tudo depende dEle. Por isso, Ele não necessita de consorte ou companheira. Assim, quando Deus, ou Krishna, deseja se sentir feliz, Ele se completa em si mesmo, expandindo sua potência. Essa potência é a própria Radha, a personificação da misericórdia do Senhor. Radha não é independente de Krishna, mas é uma só com Ele, a própria personificação de toda a beleza do amor de Deus. Por isso, Radha representa também o ideal de devoção, existindo unicamente para servir ao Senhor.
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Assim como Radha o é para os hindus, há, para os cristãos, a virgem Maria. Uma mulher que dedicou sua vida a servir à vontade de Deus e trazer o mundo a salvação através do Cristo. De acordo com os evangelhos, Maria foi tida mesmo pelos anjos como a "cheia de graça", e intercessora dos homens, uma vez que o próprio Cristo, como filho ideal, atendia aos pedidos de sua mãe, tal qual fez nas bodas de Canaã, onde, a pedido de Maria, Jesus realizou seu primeiro milagre.
Não apenas nessas duas religiões vemos o Senhor sentado ao lado de uma mulher: na antiga religião egípcia, Osiris tinha como consorte Isis; Os gregos, Zeus e Hera; Os nórdicos, Odin e Frigga, etc. Dessa forma, vemos sempre presente, em tantas religiões diferentes, a figura do masculino e feminino unidos na divindade. Apenas nossa percepção humana, deturpada pela ilusão do mundo material, faz-se incapaz de compreender a deidade em sua completude, una e absoluta. Da mesma forma que respeitamos Deus, então, a partir dessa visão, é necessário que passemos a respeitar a plenitude do divino, e seu reflexo, que são os homens e mulheres, macho e fêmea, deixando de lado as discussões sobre qual gênero é mais forte, ou qual é o mais digno de bênção, pois ambos são originários da mesma fonte criadora. Respeitar e louvar a união das partes; respeitar e louvar o todo, como o é.
Namaste!

