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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Os Muitos Afluentes do Rio Divino


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Uma vez, peguei-me curioso com uma certa dúvida que me perseguiu por um tempo. Sempre fiquei intrigado com a afirmação que ouvia de meus pais: "Deus é um só". Acho que muita gente já ouviu isso... Então, olho para o mundo e vejo milhões matando e morrendo em nome do "verdadeiro Deus". Se Deus é um só, por que há tantas religiões? Será que há uma certa e todas as outras estão erradas? Com essa dúvida, eu pulei de religião em religião, em busca de minha identidade. Foi quando compreendi uma sutil verdade por trás dos tantos caminhos que visitei...

Sim, de fato, Deus é um só. Deus é a força existente desde o princípio, unindo toda a criação. Se você pudesse imaginar o universo como um relógio, você teria as engrenagens que o move, que são as leis físicas, e as horas, que são o produto do relógio, que representa tudo o que foi criado. Mas além disso, há uma força que move essas engrenagens - a energia cinética, o movimento do relógio. Tudo isso foi gerado de uma potência primal, e este é Deus. Deus é uno, sublime e total. Ele existe antes do homem, e, por isso, antes mesmo da religião. Religião, como a própria palavra tem origem, significa "religar", unir novamente o homem a Deus. E por isso existem tantas: pois os homens são muitos, divididos em muitas nações, países, povos e culturas diferentes, cada um com seu próprio modo de compreender o mundo.

Deus, sabiamente, revelou-se a todos, mas usando de suas particularidades. Por isso, há tantas formas de religião - porque Deus se mostrou a todos respeitando suas diferenças, de uma maneira que eles pudessem entendê-Lo. Apesar disso, a mensagem trazida a todos estes povos se manteve a mesma, uma mensagem de devoção, de viver sua vida não em função deste mundo, mas em função da Divindade, desapegando-se desta forma material imperfeita, desta carne em nome da Perfeição Maior que reside Nele. É isto que está escrito em qualquer livro sagrado de qualquer religião. A única diferença são os rituais e maneiras de alcançá-Lo. E tais diferenças se dão, como disse há pouco, pelas diferenças culturais dos muitos povos.

Uma vez reconhecida esta verdade, como julgar de "falsa" outra religião que prega a mesma verdade que a sua, apenas porque ela não segue a seus mesmos rituais, ou não a declara com as mesmas palavras que a sua? Um rio pode ter centenas de afluentes, mas isso não muda a natureza do rio, e, uma vez que você compreende que os afluentes levam todos ao mesmo rio, não importa que afluente você tome, você alcançará o mesmo destino. Desta forma, respeite a toda forma de religião, e ame a todos os seres como criaturas de Deus, pois é o que todos somos, e, ao invés de focar nos pontos divergentes de cada doutrina, de ritos e orações, que possamos aprender a focar nos pontos comuns, para podermos alcançar juntos a Perfeição Maior, como há de ser, e como é a Vontade Soberana.

Namaste!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O Rosário da Verdade


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Dentro de muitas religiões e filosofias, é comum a prática da meditação, e, em muitas dessas práticas, instrumentos são usados para ajudar a manter o foco - os rosários. Sempre que nos referimos a "rosário", vêm à mente o catolicismo. Contudo, faz saber, tal instrumento teve sua origem na Índia, através do "Japamala". "Japa" significa "repetição" e "mala", "colar". Logo, japamala significa colar de repetições, nome que define sua função - ajudando a manter o foco na repetição de uma oração durante o ato de meditar.

O rosário, então, é um ciclo. Ele tem o seu começo, percorre por algum tempo, e logo acha seu fim. Da mesma forma, é a vida: nós iniciamos em certo ponto, e traçamos o nosso caminho, até chegarmos em nosso final. Assim como um japamala, nós somos seres cíclicos. Reconhecer a finitude de nossa existência diante deste mundo é um passo necessário para nos estabelecermos no Nirvana - o cessar do sofrimento. Reconhecer esta finitude e aceitá-la nos permite transcorrer nosso caminho de forma mais leve, mais feliz, pois assim não deixaremos desperdiçar a grande dádiva do momento presente, deixando para trás os lamentos passados de coisas que jamais irão voltar e aprendendo a sermos pacientes com o que ainda há de vir. Pois um rosário não é rezado de trás para frente - seu movimento é sempre adiante, conta após conta, assim como nossa existência. Somos fadados a isso - a estarmos aqui por um tempo, e logo não estaremos mais. Por tanto, é importante lembrar que, o que se foi, já se foi. A conta do rosário não volta, nem o tempo passado.

Também precisamos reconhecer que o rosário chega ao fim, então não adianta termos pressa com a vida - ela passa naturalmente. Ficarmos focados no que há de vir nos cega para o agora, e logo esse momento não existirá mais. Em pouco tempo, a ansiedade pelo futuro se torna angústia pelo passado que não foi aproveitado corretamente. Se entende isso, então, não se afobe! Viva a conta do agora, viva o momento em que está, se bom ou se ruim, a certeza é de que ele também será passageiro, assim como todas as coisas da vida. Por isso, para vivermos em paz conosco mesmos e com o mundo ao nosso redor, devemos aprender a "segurar as coisas com mãos frouxas". Ou seja, aprender a encontrar a felicidade do momento presente, mas deixá-la ir quando ela se for, como areia fina escorrendo pelas mãos - você não pode segurá-la para sempre, então deixe-a ir. E quando a dor vier, faça o mesmo - sinta o memento, depois deixe-o ir. Não se apegue à felicidade nem ao sofrimento, nem à alegria ou à dor. Deixe o ciclo fluir, pois ele está sempre fluindo, independente de nossa vontade. Aceite-o, e aprenda com ele. Nós somos o verdadeiro rosário.

Namaste!

domingo, 27 de julho de 2014

O Sofrimento e o Inferno


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É dito que Deus é bom e misericordioso. Se assim o é, por que permite ao homem o sofrimento? E se lhe deu o livre-arbítrio, por que condena os que não O seguem e pecam? E o que é o pecado?

A bem saber, Deus é, de fato, bom. Ele concedeu ao homem o livre-arbítrio sobre suas escolhas. Mas, por que? Deus é nosso Divino Pai, e como qualquer pai, ama a seus filhos, e é de Seu desejo que seus filhos o amem de volta. Dessa forma, fez o homem livre para escolher seu caminho. Se fosse diferente, e tivesse feito o homem seu escravo, sem vontade, como poderia o homem O amar? Não seria amor de verdade. E, na primeira oportunidade, ao ver-se escravo, certamente se revoltaria contra Deus. Por isso, Deus o fez livre, e, quando um filho decide viver sua vida em devoção ao Senhor, é porque este amor é real. Mas, por ser livre, eventualmente o homem incorre em pecado. De forma simples, pecado é aquilo que vai contra o desejo de Deus - tudo aquilo que causa sofrimento a você mesmo ou ao outro pode ser entendido como pecado.

Todo homem nasce livre, consciente e dotado de inteligência, mas ignorante quanto à Verdade. Por isso, ainda que viva uma vida cheia de pecados, uma vez que conhece o Senhor, seus pecados serão lavados e sua vida será feito nova, afinal, não há quem possa conceber condenar um homem que age sem conhecer a lei. Mas, uma vez que sabe a lei, e age contra ela, é passível de punição. Mas Deus, como eterno amor, não é quem nos pune. Nosso sofrimento não nasce de Sua vontade, mas da nossa própria. Um homem que atira uma pedra ao lago não pode esperar que a água não se agite, nem pode um homem plantar sementes de milho e esperar colher cevada. Então, se um homem pratica o mal, e planta sementes ruins, não pode ele esperar que seus resultados sejam outros. Um homem que provoca a ira traz para si mesmo a ira dos outros, logo não é Deus quem o está punindo - são os frutos de suas próprias ações, de seu carma.

Sofrimento e Inferno não são obras de Deus. Não foi Deus quem criou o inferno - foi o próprio homem, com seus atos, quem plantou as sementes de sua própria danação. Por isso, cabe ao homem a escolha se quer continuar neste ciclo infindável de sofrimentos, ou se purificar do mal em seu coração para alcançar sua paz.

Namaste!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Verdade da Vida


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Há, para aqueles que existem nesse mundo, uma relutância em aceitar a inconstância da vida. Há, para estes, um temor no amanhã. Para quem existe neste mundo, ter sucesso em sua carreira terrena, juntar bem materiais e estender sua existência ao máximo. O medo do sofrimento, da dor e da morte atormenta os corações levando muitos a buscar até mesmo uma falsa ideia de religião. Louvar a Deus para o sucesso na vida terrena. Louvar a Deus para morrer e ir para um lugar melhor. E nem por isso, a vida se torna mais feliz, pois ainda assim, o medo do amanhã permanece, e o desejo de não partir desta existência continua a dominar.

A verdade sobre este mundo é que nada nele é real. Real é aquilo que permanece, que não se altera, independente dos fatores. Isso é o absoluto. Pensando desta forma, não há nada neste universo material que o seja assim. Tudo nesta terra é transitório, e existe em constante mudança. Esta vida é como as nuvens ao céu: sempre se deformando e se reconstruindo ao vento. Tudo o que há, há apenas neste momento, no presente. Basta você parar para pensar em sua infância: muito daquilo que era, que havia naquele tempo, hoje não existe mais. Pessoas se foram, lojas fecharam, escolas mudaram, prédios foram demolidos, reformados e construídos. Você mesmo não é a mesma pessoa. Ideias, sonhos e vontades que você tinha, não tem mais. Suas prioridades mudaram. Você mudou. Ainda assim, de alguma forma, você se sente o mesmo...

Tudo neste mundo é transitório. Inclusive nós mesmo. Somos feitos de matéria, e a matéria se degrada. É necessário que estejamos sempre conscientes disto: logo, iremos partir. Se você sente seu coração encher de pesar ao pensar nestas palavras, então você sofre, pois está apegado a esta existência. Você deve deixá-la. Aprender a segurar as coisas "com as mãos frouxas". Desapegar significa reconhecer que nada neste mundo lhe pertence. Isso se percebe quando você passa a perceber que, quando se for, nada deste mundo levará consigo. Logo, não há nada seu. Tudo o que existe pertence à Criação. Mesmo seu corpo não é seu - é apenas um pedaço de carne que você tomou emprestado para existir aqui neste momento. Logo, você terá de devolvê-lo. E para onde irá depois disso? Existe vida além da morte?

Já foi falado em outro momento, mas vale lembrar. Há uma lei neste universo - a conservação das massas - que comprova isto. A morte é apenas uma passagem. Você é feito de matéria, e matéria é basicamente energia. Quando morrer, seu corpo será degradado, e sua energia reaproveitada pela natureza, e logo você continuará a existir, da mesma maneira que você já existia, apenas mudando de forma. Aceite isto, aceite a transitoriedade da vida. Isto é necessário para que você se liberte da ilusão da matéria.

Namaste!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Das Doenças da Mente e a Meditação


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Assunto muito em foco nos dias atuais, a saúde mental vem tomando cada vez mais destaque no tocante aos cuidados da pessoa. Não apenas na sociedade atual, mas principalmente na sociedade ocidental, as disfunções da psiquê estão se agravando de forma alarmante. Há poucos anos atrás, não havia tanta preocupação, não apenas porque muitas dessas doenças não eram conhecidas mas porque o próprio estilo de vida era diferente. Ansiedade, depressão, estresse e fobias eram males que afetavam a população em um grau menor.

Esse crescimento pode ser atribuído à agressividade do mundo moderno. Informações são veiculadas em uma velocidade impressionante, e absorvidas por nós a todo momento! Esse movimento intenso de informação degrada pouco a pouco nossa capacidade de manter o foco em uma atividade apenas, e enfraquece nossa concentração, por conseguinte, nosso equilíbrio mental. Essa instabilidade é o princípio básico para que se instalem as moléstias da mente, e os sintomas são fáceis de serem notados - uma pessoa que não consegue ler ou estudar sem deixar ligada música ou TV próximo; não consegue ficar em casa sem que algum aparelho eletrônico esteja ligado fazendo barulho; não consegue sequer ficar sentado, parado por meia hora em algum lugar, sem estar fazendo alguma coisa. Esses são sintomas básicos, fáceis de serem notados em uma pessoa ansiosa.

Tais moléstias, como foi dito, nascem da fraqueza da mente do homem. Costuma-se dizer que a mente é como um macaco - inquieta, sempre procurando um novo galho para pousar, mudando de pensamento em pensamento, nunca parada. Quando essa mente não possui a disciplina, ela domina a pessoa e a destrói pouco a pouco, como o músculo sem treino se torna flácido e fraco, e desprotege o osso, deixando-o quebrar. Assim como nosso corpo físico, é necessário que fortaleçamos a nossa mente para que possamos nos prevenir das mazelas psíquicas e não nos perdermos nas paixões mundanas. Para esse domínio, a ferramente mais hábil já descoberta é a meditação. Focar no momento presente.

Para meditarmos, é necessário que tenhamos sempre em mente o seguinte: não há lugar ideal, não há hora ideal, não há maneira ideal. Não é necessário que você se isole no meio de uma mata, e sente-se em posições desconfortáveis e siga a risca um modelo prescrito. Se essa é a sua primeira experiência e você tenta seguir um plano ióguico extremo, meus parabéns - é o primeiro passo para o fracasso. Assim como uma criança birrenta, a mente é teimosa e não obedece de forma instantânea. É necessário treino. Busque um lugar confortável, onde você se sinta bem. Aconselho sob uma árvore, em um parque por ser um lugar tranquilo mas não desesperador para pessoas ansiosas. Também não tente limpar a mente de todos os pensamentos, não é possível fazer isso quando não se tem experiência. Você deve entender que sua mente é única, e para desenvolver a meditação você precisa conhecer a si mesmo. Então, ao invés de tentar forçar sua mente ao vaio, busque uma âncora, algo que lhe ajude a manter seu foco: ouça o vento balançar as árvores e sinta o vento lhe tocar, sinta o pulsar de seu próprio coração, o ar entrando em seus pulmões, a terra sob você. Sinta a vida fluir. Sinta a si mesmo. Sinta o divino em si e no universo ao seu redor. Isto é momento presente. Não há um tempo ideal. Você pode determinar esse tempo, da mesma forma que alguém treinando para uma maratona determina o tempo da corrida. Pratique isso, se puder, todos os dias, ou em dias alternados. Vença a preguiça e faça. Não demorará muito para que sinta os efeitos dessa terapia. Sinta e verá!

Namaste!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O Eu e o Outro


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À medida em que vamos vivendo em sociedade, vamos nos sujeitando a diversas regras de conduta. Cada situação pede de nós uma forma de comportamento que conduz as nossas ações e palavras. Conviver significa sujeitar-se a esses preceitos. Nem sempre isso é fácil. Dentro de cada um de nós existe uma força rebelde que urge, compelindo-nos a agir de forma diferente. Para alguns, essa força é ainda mais intensa. Na psicologia, é chamada de "ID", nossa parte primitiva, guiada apenas pelo prazer das ações; Para a ciência veda, é "prakti", ou "modo da natureza", e estes são três: o modo da ignorância, o da paixão e o da bondade. Todos nós possuímos estas três energias, estas três formas de prakti dentro de nós, sendo muitas vezes dominado por uma delas.

Para aqueles que estão no modo da ignorância, a vida é apenas isto que parece. Para estes, não há nada além da natureza que os cerca, nada além do mundo material. São pessoas de pouca evolução espiritual, céticas ou mesmo ateístas, cuja meta única da vida se resume ao vazio de existir. O modo da paixão é a predominante naqueles cuja vida é uma eterna festa, e sua única forma de ter paz é viver para o prazer. Esta prakti é a própria força do hedonismo absoluto. Já o modo da bondade é a característica daqueles que estão em um plano espiritual elevado. Essa energia é fortemente presente naqueles que se abstém dos prazeres mundanos e dos que enveredam por caminhos religiosos e de não-violência.

Conforme foi dito antes, todos possuímos estas três energias, contudo, uma ou outra estará mais exacerbada ou mais visível em nosso modo de ser. Às vezes, por inúmeras razões, uma pessoa pode tentar mudar a sua prakti, por exemplo, alguém que é dominado pela energia da paixão tenta se abster dos prazeres carnais. Isso pode acontecer, digamos, quando um homem ou mulher de sexualidade muito ativa decide se casar, ou tomar para si votos de castidade. A vida conjugal ou casta começara a lhe parecer um martírio! Uma vez negada, a nossa natureza se torna um monstro dentro de nós. Quando tentamos refrear um impulso, ele se torna mais forte. Se tentarmos dizer não a uma vontade, coo a uma criança pequena, ela irá nos quebrar por dentro. Por isso é tão difícil deixar um vício. Mas não é impossível.

Repetindo mais uma vez, todos nós temos as três forma da prakti dentro de nós. Para mudarmos nossa forma de ser, precisamos mudar nossa prakti, não negá-la. Mudar o foco. Se te da vontade de beber, não lute contra ela: mude seu foco! Terapias ocupacionais, yoga, atividade física, meditação... Mude o rumo de seu pensamento. A energia é como um rio, se você tentar enfrentá-lo direto, criando uma barreira para tentar bloqueá-lo, a barreira pode romper, e você recair no seu vício. Por isso, não crie uma barreira - crie um desvio! Se você tem sua religiosidade, devote suas ações à divindade. Se não tem e não quer buscar, então mude suas ações para algo mais saudável. Ninguém pode negar sua própria natureza, mas qualquer um pode dominá-la. Tudo o que precisa é de força de vontade, determinação e (mudança de) foco.

Namaste!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Entre a Devoção e o Prazer


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Hoje, deitado em minha cama, com meu filho pequeno ao meu lado, tive uma clareza em meus pensamentos. Desde pequeno, posso me considerar privilegiado pois sempre me foi muito simples compreender a espiritualidade, por isso, nunca entendi muito bem porque as pessoas questionam tanto os propósitos de Deus, ou sua existência. Mas, quando estava com aquela pequena criatura a quem chamo de filho, adoentado por uma gripe, dormindo ao meu lado, pude entender: é muito mais fácil amar a um filho do que a Deus. Melhorando este pensamento - é muito mais fácil amar ao mundo do que a Deus!

Amar a Deus exige devoção sublime - o mundo, não. O mundo está ao nosso redor, nós o experimentamos a todo momento, em tudo o que fazemos, de uma forma tão poderosa que ela entorpece nossos sentidos de forma inimaginável! O mundo é encantador, pois ele é percebido plenamente através de nossos sentidos corpóreos, e estes sentidos, você não precisa despertar. Você já nasce vendo, já nasce ouvindo, já nasce provando, cheirando e tocando, exceto, é claro, em exceções de pessoas especiais. Ainda assim, mesmo estas, ainda experimentam do mundo em outras formas. Por isso, o mundo parece tão sedutor.

Já a Deus, não. Deus só pode ser experimentado quando nos permitimos a isso. Quando despertamos esse novo sentido. Para experimentar a Deus, é preciso se entregar a Ele. É preciso buscá-Lo. O que não é necessário com o mundo, vez que ele vem a nós naturalmente. Não existe Religião do Mundo porque nós já estamos ligados a ele. Religião é para nos ligarmos a Deus. Assim, sendo tão fácil viver no mundo, é claro que é mais fácil amar e adorá-lo do que à Divindade. É mais proveitoso a nós agradar aos prazeres do corpo, pois não precisamos do sacrifício do espírito.

Contudo, ao desperto não cabe enveredar pelo caminho dos prazeres mundanos. Àquele que conhece o vazio de existir nesse mundo sabe que, na matéria, não há outra coisa senão a morte. É necessário o Divino em nossas vidas, não para aplacar o medo do desconhecido ou do pós vida, mas porque somente através Dele podemos conhecer a plenitude do existir. Somente através de experimentar o serviço devocional podemos nos livrar do Samsara e encontrar a paz do Nirvana.

Namaste!

domingo, 4 de maio de 2014

Lições de um Lótus


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O lótus é certamente uma das flores mais cultuadas pela cultura oriental, e, devo dizer, aquela que mais reflete os ensinamentos da religião. Seu perfume é gracioso, e sua beleza, única. Mas não é apenas por isso que se dá o seu destaque: apesar de sua beleza rara, o lótus é uma flor de terrenos hostis. Há um ensinamento budista que diz: "da lama, nasce o lótus". A essência deste ensinamento é algo que devemos carregar para nossa vida, pois a vida em que existimos está imunda pela lama de nossos erros, nossos sofrimentos, nossos frutos cármicos e pecados. Essa lama não pode ser lavada simplesmente. Não podemos anular o passado. O mal que foi feito permanece para sempre... Contudo, quando aprendemos a nos desapegar dos efeitos que este mal causou, podemos nos desprender deste mal.

A meditação e a purificação da mente servem para este fim: dominando nossos pensamentos e aprendendo como lidar com nosso "eu interior", passamos a nos desapegar desse sofrimento e a amadurecer como pessoas. Através do perdão às ofensas (inclusive o perdão a nós mesmos), não podemos lavar essa lama, mas podemos nos tornar como o lótus, e renascer. Por mais odioso que nosso passado possa ter sido, isso não nos tira o direito de refazer nosso futuro. Assim como uma cicatriz não desaparece, a lama não deixa de ser. Mas assim como sobre a ferida da cicatriz cresce uma nova pele, nosso futuro pode ser preenchido com novas ações.

Perdão às mágoas do passado. Perdão aos teus ofensores. Perdão a ti mesmo. Não sofras pela lama do que houve em teu passado. Não se banhe nela como os porcos, nem se alimente dela, pois ela só traz o sofrimento... Seja como a lótus, cresça sobre ela. Aprenda com ela, e não refaça os mesmos erros. Seja a lótus. Purifique-se. "Om mani padme hum" (Salve a joia da Flor de Lótus).



Namaste!

terça-feira, 25 de março de 2014

Egoísmo


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Egoísmo é definido como o ato de uma pessoa por seus interesses e ações voltadas unicamente para si, um amor próprio excessivo, orgulho cego sobre seu próprio ser. Desta forma, aquele que age unicamente pensando no seu prazer e proveito age com egoísmo. Inverso a este está o altruísta - aquele que já não pensa em si mas no outro apenas. Diferente do primeiro, o altruísta age sempre com foco no resultado de suas ações para seu próximo, deixando de lado seu próprio conforto.

Diante do quadro social atual, vemos uma sobreposição do egoísmo sobre o altruísmo. Com o hedonismo (busca pelo prazer e satisfação própria) crescente, a tendencia do momento leva as pessoas a focarem seus resultados nelas mesmas. Este tipo de pensamento leva ao estado doente da nossa sociedade, onde uma mulher grávida precisa ficar em pé em um ônibus lotado porque um jovem saudável na flor da idade chegou antes dela e tomou o lugar reservado. E daí? Ele chegou primeiro. Isso é falta de educação? Não. É pior que isso - é educação. É mau exemplo. Um rapaz ou moça que não se levanta para dar seu lugar a um idoso é o reflexo de uma educação onde foi ensinado que deve-se sempre buscar o resultado mais favorável para si. É o resultado de quando o pai ou mãe ensina que, "meu filho, você deve crescer na vida, custe o que custar. Você deve ser alguém grande, importante, ganhar dinheiro, ser bem sucedido...". Pais que ensinam seus filhos apenas a crescer, ou que os incentivam à competição cega através da ideia de que o mundo é dos melhores levam a essa atual geração de egoístas.

A vida nem é uma competição, nem o ato de viver é competir. Não existe independência absoluta. O mundo é um complexo sistema que depende de uma cooperação e interação entre os seres viventes, assim como uma sociedade. Para que ela sobreviva, é necessário que os agentes sociais, ou seja - as pessoas interajam umas com as outras em equilíbrio e cooperação. Melhores e piores sempre haverão. Porém o ponto não está em buscar o destaque pela superioridade, mas sim em equilibrar: um barco possui dois remadores - um melhor e outro pior e está indo em direção a um penhasco. Há apenas 3 opções - se o remador pior agir sozinho, o barco cai do penhasco. Se o melhor remar sozinho, ele tem poucas chances de escapar, podendo ficar muito cansado para tirar o barco da rota e cair no penhasco. A melhor maneira de escapar da morte é quando os dois agem juntos, e um completa a falhado outro.

Não devemos também simplesmente nos entregar em face dos outros. Não podemos esquecer de nós. Mas, para isso, é necessário que não nos esqueçamos também de que não estamos sozinhos. O ponto de equilíbrio entre o altruísmo e egoísmo é quando agimos para nós pensando nas consequências que nossas ações trarão para o outro. Empatia. Esse é o remédio para o bem viver da sociedade atual.

Namaste!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Pedras ao Lago


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Pelo conhecimento do Karma, temos ciência da lei do retorno das ações. Tudo o que fazemos retorna para nós de alguma maneira. Isso não é uma "crença". Isso é a lei. Como na própria física, aprendemos que, ao executarmos uma força, teremos uma reação de mesma intensidade contra nós, assim são todos os nossos atos. Quando praticamos um bem a alguém, geramos uma força positiva em nossa direção, e bons frutos se seguirão. Já, quando praticamos o mau, essa força nos prejudicará de alguma forma.

Não se trata de "julgamento divino". É fato. Se tratamos mau as pessoas ao nosso redor, plantaremos sementes de ódio nelas, e logo, seremos escanteados, deixados de lado, isolados, e essas pessoas passaram a nos tratar mau da mesma forma. Afinal, quem gosta de sorrir para o outro quando este outro lhe magoou? Já quando nosso trato é respeitoso, e fazemos com que as pessoas ao nosso redor se sintam bem, não é de se admirar que elas nos tratem melhor.

Nosso agir é como uma pedra atirada no lago - ao tocar a água, os efeitos de nossas ações se propagam como ondas para todos os lados, atingindo todos ao nosso redor, e logo depois, essa ondas voltam para o centro do impacto (nós mesmos). Assim, é o efeito de nossos atos, como pedras ao lago. Por isso, sempre agir bem! Por mais que as pessoas ao nosso redor não façam o mesmo, mas deixe que elas recebam as consequências de seus próprios atos. A única coisa que você tem de se preocupar em controlar são as suas próprias atitudes, pois cada um só responde pelo que lhe cabe. Não somos juízes de ninguém, senão de nós mesmos.

Namaste!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O Lugar de Paz está em sua mente


Foto de Our Wonderful
Word of Nature and Art
Quem nunca se pegou pensando em achar aquele lugar perfeito? Aquele lugar onde todos os problemas simplesmente desaparecem de sua mente? Um lugar que te salve da selvageria do mundo real, onde possa repousar... Todos buscamos um lugar assim nos momentos de atribulação. Mas onde está esse lugar? Dentro de você. Esse lugar se chama "Nirvana". Não a banda Nirvana (embora seja muito boa!), mas sim o nirvana como dito no budismo: o estado de "não-mente", um estado de espírito de placidez absoluta.

Mas como achar o nirvana? É muito simples, embora não seja fácil... O Nirvana já está em você! Não é algo que você precisa criar, ou desenvolver. É sim, algo que você apenas precisa se ligar a ele. Para conseguir isso, é necessário que você se conecte primeiro a si mesmo. Que você aprenda a dominar sua mente, a controlar seus pensamentos. Isso não é impossível. A mente é inquieta e vai para onde ela bem entender, como uma criança pequena. É para isso que existe a consciência - como um pai que toma as rédeas do filho. Através da consciência do tempo presente e da meditação, dominar a mente é não apenas possível como totalmente aplicável.

Através desse processo de disciplina mental, você pode conduzir sua mente a este lugar de paz. Experimente hoje mesmo! No intervalo do almoço, no ônibus, no caminho para casa... Não importa! Apenas respire fundo e deixe todos os pensamentos se desfazerem em sua mente. Esqueça o mundo ao seu redor. Existe apenas o respirar. Existe apenas sua inspiração....e sua expiração.... Solte o ar lentamente, e sinta ele deixar seus pulmões, sua garganta, seu nariz. Inspire, e sinta-o entrar... Faça isso ao menos 10 vezes. Desacelere. Com isso, sentirá mais calma. Essa calma não veio de fora - ela sempre esteve dentro de você! À medida que for aprendendo a dominar melhor a si mesmo, verá que esta calma (e uma muito maior!) entre outras virtudes sempre estiveram dentro de você. Busque seu lugar de paz. Busque a si mesmo. Esse é o primeiro passo para o Nirvana.

Namaste!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Homem no Abismo


Para o dia de hoje, trago o vídeo da banda Iron Maiden, cuja música deu origem ao título desta postagem:


Eis a letra da qual faço uma tradução a seguir:


Man On the Edge - Iron Maiden

The freeway is jammed

And it's backed up for miles
The car is an oven and baking is wild
Nothing is ever the way it should be
What we deserve we just don't get you see
A briefcase, a lunch and a man on the edge
Each step gets closer to losing his head
Is someone in heaven? Are they looking down?
'Cause nothing is fair just you look around


Falling down


He's sick of waiting of lying like this
There's a hole in the sky for the angels to kiss

Branded a leper because you don't fit
In the land of the free
You can live by your wits
Once he built missiles a nations defense
Now he can't even give birthday presents
Across the city he leaves in his wake
A glimpse of the future a cannibal state


Falling down


Tradução:

Homem no Limite - Iron Mainde

A via expressa está congestionada
E isso se estende por milhas a fim
O carro é um forno e o calor é infernal
Nada é jamais como deveria ser
O que merecemos, não recebemos, entende?
Uma maleta, um almoço e um homem no limite
Cada passo o põe mais perto de perder a cabeça
Há alguém nos céus? Estão olhando para baixo?
Pois nada é justo, basta apenas observar ao seu redor...

Despencando

Ele está cansado de esperar deitado desta maneira
Há um buraco nos céus para que os anjos se danem
Marcado como um leproso porque não se encaixa
Na terra da liberdade
Você pode seguir suas vontades
Outrora ele construía mísseis, a defesa da nação
Agora nem mais pode dar presentes de aniversário
Através da cidade, ele parte em sua vigília
Um vislumbre do futuro, um estado canibal...

Despencado

Há um grande teor de verdade na letra desta canção. Assim como no texto dela é as nossas vidas - vivemos no limite, na correria do mundo ocidental, tentando nos encaixar neste mundo decadente. Nossa vida se limita a trabalho e preocupações, e míseros momentos de descanso como um prêmio absoluto. Em meio ao caos dessa existência, perdemos o foco do que realmente importa em nossa vida - o viver. Tornamo-nos insensíveis para a realidade do universo ao nosso redor, existindo apenas no plano da ilusão. Trabalhar, juntar dinheiro e consumir... Estamos consumidos. E, para aqueles que discordam dessa verdade social, são marcados como os "leprosos", e excluídos - os Patinhos Feios.

Não tenha medo de viver de forma diferente. Não tenha medo de abrir mão desse caos por uma tranquilidade de espírito. Mesmo que isso te tire parte de tuas posses materiais. Lembre-se: o tempo não está a venda. Então não o desperdice com nada que vá se arrepender depois!

Namaste!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014



Andar o Próprio Caminho


















"Ninguém nos salva senão nós mesmos. Ninguém pode nem deve fazê-lo. Nós, por nós mesmos, devemos trilhar o caminho" - Buda.

Ao ler este ensinamento, cuidado! Entenda primeiro que budismo não é religião, mas filosofia. Budismo não trata do "religare", da busca pela reconexão com o divino, mas com a conexão com nós mesmos. Buda não trata de Deus, ou de deuses, nem diz o caminho para se chegar a ele, e por uma razão simples e óbvia - religar-se com Deus é da intimidade de cada um. Somente você sabe o que sente, e somente você sabe como pode chegar a Deus. Por isto, este caminho, Buda deixou livre para que você o trilhe.

Quando ele diz "nós, por nós mesmos, devemos trilhar o caminho", ele não está negando a Deus. Nenhum ensinamento budista nega a religião. Mas ele está nos lembrando de que é nosso o Livre Arbítrio, segundo a lei cármica. Você pode ser evangélico, católico, espírita kardecista ou umbandista, não importa. Não será o que você diz crer que lhe "salvará", ou que lhe guiará ao bom caminho - são seus próprios passos! Por mais que você entregue sua vida nas mãos de Deus, Ele não agirá por você. Ele já lhe deu a inteligência e a força para encontrar o caminho Dele e perseverar seguindo neste caminho, mas quem deve andar é você! Deus pode intervir na sua vida com toda a Sua potência, e guiar os teus passos, mas se não moveres teus pés, jamais sairá do mesmo lugar. Deus não vai mover o chão sob teus pés - Ele te dará a força para andar pelo caminho. Então lembre-se - somos nós que devemos trilhar o caminho! Agarre-se na sua fé, se tiver uma, agarre-se a Deus da maneira que só você O sente. Mas nunca espere que a salvação venha até você só por isso. O que lhe salvará serão suas atitudes. Então, haja!

Namaste!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Limite das Virtudes



"A bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade. Porque a paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência. Porque a serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença. Porque a tolerância que nunca replica não é tolerância: é imbecilidade". Somos humanos, e por isso, experimentamos o "sentir". Sentir raiva, sentir ansiedade, sentir medo... Tudo isso faz parte do processo de existir. Para isso, precisamos educar nossas mentes e corações, pois, à medida que nos entregamos a estes sentimentos, damos mais passos em direção ao sofrer. Por tanto, bondade, paciência, serenidade e tolerância para com os outros é preciso em face de nos tornarmos criaturas melhores. Porém existirá um limite para esses sentimentos?


Há um provérbio chinês que diz "Wu ji bi fan" - "quando algo chega ao extremo, torna-se seu oposto". Essa frase se tornou popular graças ao filme Karate Kid (2010), embora ela realmente exista de verdade. Ao praticarmos qualquer atitude, devemos sempre buscar um equilíbrio, vez que o extremo é perigoso. Isso é em todos os momentos da vida - na religião, na fala, nos comportamentos... Se levamos uma prática religiosa ao extremo, corremos o risco de nos tornarmos fanáticos e passarmos a disseminar ódio entre aqueles não-praticantes, quando na verdade os mandamentos divinos de qualquer religião indicam que disseminemos o amor, do mesmo modo que, se não nos esforçamos para seguir, nossa fé se torna apenas "de boca". Também quando buscamos praticar um comportamento correto, se somos muito duros com nós mesmos e os outros, encontraremos a frustração sempre que nos depararmos com o erro ou quando não conseguirmos conter nossos atos, da mesma forma que, se não nos esforçarmos, jamais agiremos pelo caminho correto. Logo, qualquer virtude, mesmo a paciência e a tolerância, deve ser comedida.

Na prática do "Caminho do Meio", devemos sempre buscar a conduta correta, e ensinar essa conduta àqueles que estão ao nosso redor. Devemos sempre, também, respeitar a nós mesmos e aos outros. Compreenda que todos são falhos, inclusive você. E durante a caminhada da vida, tropeçar nas pedras do caminho é inevitável. Não há um que exista nesse mundo que não tenha sofrido nem que não irá sofrer. A dor faz parte do viver. O que precisamos aprender é que ela é apenas uma parte, e não o todo - que, ao tropeçarmos em uma pedra, sempre poderemos nos levantar e continuar nosso caminho, sem ficar preso àquele tombo. Momento presente é isto. É reconhecer que a vida segue, mesmo que cometamos nossos erros. Sempre que errar, aceite que errou, assim poderá aprender mais com sua atitude e seguir adiante, evitando tropeços mais à frente.

Em nossa conduta, esse caminho do meio também se aplica à prática das virtudes. Ser sempre bom, tolerante e paciente com o outro não significa aceitar tudo o que lhe fazem em silêncio. Em uma formação moral razoável, aprendemos que, quando uma pessoa lhe pratica uma ofensa, não devemos revidá-la com outra ofensa. É verdade... Mas também não devemos nos silenciar diante disto! Quando nos tornamos passivos diante do mau, não estamos evitando o sofrimento - estamos o intensificando. Se algo nos incomoda, a primeira atitude que devemos tomar é falar. Se não resolve, então busquemos outro meio de resolver. Se podemos, então, que nos afastemos da causa de nosso sofrimento. Mas, se não podemos, então, vamos compreender a causa. Assim, saberemos qual o melhor caminho para resolvê-la. Pergunte "por que sofro?", e tente entender o que te machuca, e o porque dele te machucar. Ser bom, paciente e tolerante não é se calar diante da dor, mas sim usar de sua inteligência para resolver o conflito sem provocar mais dor a si mesmo ou ao outro.

Namaste!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Do Nirvana e Os Seis Sansaras


Pela crença budista, há seis mundos onde uma pessoa pode nascer. Cada um de nós carrega consigo a energia de nossos karmas (ações). Existimos, logo cada um de nossos atos modela nosso caminho. Esses atos determinam o fruto de nossos karmas, se bons ou maus... Logo, diante desses frutos, passaremos a existir em um desses sansaras.

O primeiro sansara é o Mundo Celestial, um reino de felicidades e paz onde nascem aqueles cujo karma é bom. Embora seja belíssimo em seus deleites, é um mundo perigoso, pois um mero pensamento impuro pode lançá-lo para outro sansara. O segundo sansara é o Mundo dos Homens, um mondo onde nascem aqueles que estão apegados a seus sentimentos e suas vidas. Os que nascem nesse mundo sofrem a inconstância do existir, passando por momentos felizes e tristes, mas também tem mais chances para se conscientizarem de seu estado cármico. O terceiro sansara é o Mundo Sangrento, onde vão aqueles cuja inveja e ira governa seus corações e atitudes, vivendo em uma eterna batalha. É um mundo triste, cheio de morte e violência. Aqueles que aqui nascem não podem gozar de uma vida tranquila, nem mesmo de um sono pacífico, pois são eternamente perseguidos pela avareza e sede de poder, e o medo de perder a vida. O quarto sansara, o Mundo das Feras, é para onde vão os que vivem desregrados, por seus instintos. O quinto sansara, Mundo dos Espíritos Famintos, é um reino de sofrimento onde habitam aqueles que perderam sua vida em prazeres mundanos. Os que aqui nascem sofrem pela fome e sede insaciável. É certamente um dos mais temíveis nascimentos... E o último, o sexto sansara, é um Mundo Inferior, ou Infernal, onde aqueles cujo karma é ruim devem colher os frutos de seus atos, até que seu karma se equilibre e possa renascer em outro mundo.

O ciclo de nascimento nestes sansaras não é, de fato, eterno. Nasceremos em cada mundo de acordo com nosso karma. Mas, quando nos desapegamos por completo dos frutos de nosso karma, deixaremos de nascer, e atingiremos o nirvana.

Quando um ser chega em seu estágio de despertar, e percebe os seis sansaras, ele compreende a essência do karma. Em fazer isso, ele, pouco a pouco, se desprende desta lei, iluminando-se da verdade, e deixando para trás esse infindável ciclo de nascimentos e mortes que é o sansara. Quando isso acontece, ele se livra de todos os frutos do karma, e por isso, não mais volta a nascer em qualquer um destes mundos. Assim, encontrou o Nirvana - o estado de "não-mente". E qual caminho levará ao Nirvana? É simples - o Momento Presente. É nele que está a resposta.

Namaste!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Momento Presente


Para abrir esta postagem, deixo uma parábola que ouvi certa vez: "belo dia, um monge iniciante veio ao seu mestre. Seu coração estava cheio de dúvidas a cerca do que aprendia, então, indagou ao seu superior - 'o que é a vida, mestre? Quem sou eu? O que é o eu? O que é o divino?' Diante de tantas perguntas, o mestre apenas sorriu e o convidou à mesa, dizendo - 'vamos tomar esta caneca de chá, que logo você entenderá todas as respostas'. E por longos momentos, os dois ficaram ali, apreciando o chá enquanto os pássaros cantavam e o vento acordava as flores e seus aromas. Ao fim, o monge se levantou ainda mais intrigado. 'Mestre, eu agradeço pelo chá, mas e quanto às minhas perguntas?'. O mestre então respondeu-lhe 'ora, meu jovem? Mas eu já acabei de lhe responder!'"

A primeira vez que li este conto, eu não o entendi. Só depois de algum tempo, as coisas me passaram a fazer sentido. O segredo está no "momento presente". Muitas vezes, em nossas correrias cotidianas, esquecemo-nos da beleza do agora. Por vezes, resumimos nosso existir a correr atrás de prazos e a lamentar pelas horas perdidas em vão. Se você sofre disso, então STOP! Pare agora! Respire o presente, e encontrará as respostas absolutas para todas as suas questões. Eu apenas vim compreender isto quando parei para contemplá-lo de fato. Não vale a pena sofrer por águas passadas, pois o passado é uma miragem criada pelo nosso apego a coisas que se foram. Ele não existe de verdade. Ele apenas existe em nosso coração e nossa mente. Já o futuro, pior ainda, este ainda nem está pronto! O futuro ainda nem mesmo existe... Tudo o que temos está aqui - no agora! Quem é você? O que é o eu? Deus existe ou não? Todas estas e outras perguntas, pare de perguntá-las, respire, e contemple o agora. Não julgue. Não se prenda. Apenas contemple... E verá a resposta surgir em seu coração. Viver o presente é respirar. Viver o presente é se tornar consciente da própria existência. Quando viver o presente, entenderá o desapego, e estará mais perto de se livrar do sofrimento.

Namaste!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Karma e O Sansara


Existe destino em nossas vidas? O que é "destino"? E "livre-arbítrio"? Será que estas duas forças podem coexistir? É fato que existimos, e estamos conscientes desse fato. Por isso, temos o poder de tomar nossas próprias decisões e trilhar o caminho conforme nossa vontade. Isso é livre-arbítrio. A partir do momento em que uma escolha é feita, uma atitude, praticada, a Lei do Karma se manifesta. Imagine como um grande lago inerte, as águas plácidas, imóveis. Então, você age. Sua ação cria uma perturbação na água e as ondulações aparecem. Causa e consequência. Isso é a lei do karma - toda ação que você cria, mental ou física, gera uma consequência positiva ou negativa, a depender de sua própria ação. Boas ações geram bom karma; más ações, o mau karma. O Karma é uma lei implacável, da qual ninguém pode escapar. Karma não é a consequência de nossa ações - ele é a lei. O karma não são as ondas no lago, ele é o próprio lago!

Assim, a partir do momento em que estamos sob a lei do karma, podemos entender que estamos também sob a direção de um "destino". Tomamos nossas próprias decisões, e nossas próprias escolhas, e com isso, criamos para nós consequências involuntárias das quais não podemos conter ou controlar.

À medida em que nos encontramos sob a lei cármica, deparamo-nos com o Sansara - o ciclo infindável de nascimentos e mortes pelo qual uma pessoa deve passar. Em outro tópico, falei sobre a Alegoria da Geleira. Nós vivemos, crescemos, e morremos, nossa energia retorna para o universo até então renascer em outro corpo. A este ciclo, damos o nome de sansara. Compreendendo que cada atitude nossa manifesta frutos cármicos bons ou ruins, podemos entender porque algumas pessoas nascem mais felizes ou afortunadas do que outras - se passamos uma vida de bons frutos e boas ações, mesmo após a morte, nosso karma continuará a nos seguir, e em nosso próximo nascimento, traremos conosco ainda a felicidade de nosso viver anterior. Mas se nossos frutos não são bons, renasceremos com karmas mais infelizes, passando por mais sofrimentos. Para aqueles que compreendem esta verdade, ficam mais próximos de se libertar do sofrimento. O processo de Despertar e Iluminação passa pela compreensão do Sansara e a aceitação do Karma para, então, purificá-lo e extingui-lo. Só assim, encontraremos a Paz Espiritual Absoluta do Nirvana budista ou do Céu cristão.

Namaste!

sábado, 18 de janeiro de 2014

Dos Três Temores e A Alegoria da Geleira


Dentro de nosso sofrimento, há três grandes temores que nos assombram. A Doença, A Velhice e A Morte. Por nosso apego aos momentos, tememos por nossa existência e repudiamos a ideia de perdermos nossa saúde, envelhecermos, e findarmos nossa existência. Algumas pessoas inclusive chegam a se entregarem a uma vida desregrada em busca de todo o prazer que conseguirem consumir, pois acham que assim, quando chegar o momento inevitável da morte, suas vidas não teriam sido tão vazias. E não o são? Pois, para estas pessoas, só existe o vazio - qual o sentido de viver se, no final de tudo, resta o nada?

A verdade é que existir é uma passagem. Agora estamos aqui, e, logo mais, já não estaremos. Agora, estamos saudáveis, mas logo vem a doença. Agora estamos felizes, mas não demora para ela acabar... Essa existência é inconstante. Por isso, não devemos nos apegar. Devemos sim aproveitar cada momento à medida que eles nos vem, mas sem se prender a eles, e saber dizer "adeus" quando o momento se for.

E então, a vida acaba? Claro que não. A morte não é o fim, é apenas outro estágio de nossa passagem. Será? Enquanto estávamos na escola, aprendemos que Energia não se perde nem se cria, apenas se transforma. E também que, na matéria, existe energia. Assim, podemos dizer que cada um de nós tem uma energia interior. Alguns a chamam de "alma", outros de "espírito", ou "karma"... Não importa. Deixemos de lado a concepção religiosa, e vejamos os fatos - a energia existe. Assim, quando morremos, se energia não se perde, a nossa também não se perderá. Ela voltará ao mundo, será absolvida pela terra e pelas plantas, e pelos animais... Eventualmente, um dia ela volta a ser uma outra pessoa, um novo ser. Essa pessoa não é você, mas ela foi criada com uma energia que um dia foi sua. Então, ela e você estão ligados de alguma forma. Por isso, você não deixa de existir. Você continuará sempre existindo como uma parte dela...

Encaremos a existência como uma geleira no alto da montanha. O gelo é você. O gelo está eternamente se derretendo... Assim como nossa vida está passando. E pouco a pouco, escorremos pelo rio da vida até o dia em quem o gelo se derrete por completo, e nós "morremos". Mas o gelo não desapareceu de verdade. Ele apenas se tornou água. E a água volta a evaporar, e se transforma em chuva, e a chuva banha novamente o alto da montanha, e a água se torna gelo novamente. Assim, o gelo que um dia se desfez volta ao topo da montanha. O gelo não é o mesmo de antes, mas é feito da mesma água.

Assim é nossa vida. Um eterno ciclo. Nossa energia vem do mundo em que vivemos, e das pessoas que aqui viveram no passado. Através de nós, elas continuam a existir. Nós não somos o mesmo que nossa energia era em vidas passadas. Mas essa energia continua a existir através de nós. Assim como nossa energia continuará a existir no futuro. Se pensarmos assim, compreenderemos que a morte é apenas mais uma das ilusões do mundo. Ela não representa um fim, mas apenas outra passagem. Aceitemos isso, e o sofrimento, pouco a pouco, deixará nosso coração.

Namaste!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Moola Mantra


"Mantra" significa "postura da mente". Através da repetição de um mantra, podemos aprender a dominar a nossa mente e nossa conduta. De origem no hinduísmo e budismo, a maioria são orações cantadas em sânscrito (antiga língua indiana). Existem centenas de diferentes mantras, e podem ser facilmente encontrados em muitas versões, clássicas ou modernas. Sua utilização na meditação é uma excelente forma de ajudar no relaxamento e induzir a um estado de tranquilidade mental.

Moola Mantra é um dos meus mantras favoritos, assim como o Gayatri Mantra. Deixo aqui minha versão favorita do Moola por Deva Premal, bem como minha versão de seu significado:



Om
Sat Chit Ananda Parabrahma
Purushothama Paramatma
Sri Bhagavathi Sametha
Sri Bhagavathe Namaha

Hari om tat sat

"Om" é a mais pura evocação divina. Refere-se ao Universo e à criação. Segundo a bíblia cristã, em Gênesis, diz-se que Deus criou o universo a partir do verbo. Na visão hindu, este verbo foi o "Om".

Sat chit ananda parabrahma - Divino criador, consciência amorfa de puro amor e alegria
Purushothama Paramatma - O qual veio ao mundo como um homem, e cuja voz guia meu espírito sempre que lhe clamo
Sri Bhagavathi Sametha - Juntos, a Divina Mãe
Sri Bhagavathe Namaha - e o Divino Pai eternos, eu vos honro, louvo e respeito

Hari om tat sat! - És a Verdade Absoluta!

Namaste!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

As Correntes do Sofrimento


Por que sofremos? São muitas as causas, mas sua razão pode ser quase sempre encontrada em uma palavra - o Apego. A vida em si é constituída por curtos e efêmeros momentos. Por sua própria natureza passageira, criamos em nós um sentimento de apego aos momentos. Sentimos saudade de coisas boas que se passaram, pessoas que se foram, tempos que se perderam. E também há o apego ao futuro, onde sentimos ansiedade pelas coisas que ainda estão por vir! De uma forma ou de outra, sofremos. Sofremos porque nem podemos trazer de volta o que se foi, nem adiantar o que há de vir.

Por essa natureza ilusória, a vida com o apego nós lança em um mar de dor e sofrimento infindável. Você chora porque algo que aconteceu não vai mais acontecer, e, depois que percebe que estava perdendo tempo sofrendo pelo passado, sofre ainda mais por ter perdido tempo! Ou sofre pela ansiedade do futuro, e quando percebe que perdeu as oportunidades que existiam no presente, sofre por não ter aproveitado mais o que tinha nas mãos.

Sofremos porque as pessoas que mais amamos, um dia se vão da nossa vida. E porque a felicidade também, uma hora, se esvai.

Sofremos porque vivemos na ilusão. Despertemos! A vida é passageira. Sempre foi e sempre será. Como um rio cujas águas estão em eterna corredeira. Não há passado nem futuro. Há apenas o presente. E o sofrimento somente cessará quando você se desapegar das correntes da ilusão e enxergar o momento presente. Momento presente - é aqui onde habita a verdadeira sabedoria e paz de espírito.

Namaste!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Jamais menospreze coisa alguma. Uma verdadeira lição pode vir de qualquer lugar. Pode vir de um bom amigo, ou de seu pior inimigo. Pode vir de uma formiga, ou mesmo de uma tartaruga em um desenho animado. Não menospreze.

"Ontem é história,
Amanhã é um mistério,
Mas hoje é uma dádiva,

É por isso que é chamado 'Presente'."

- Mestre Oogway

Namaste!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Dos Despertos


O que é estar "desperto"? Tomando aqui uma definição do budismo, desperto é aquele que abriu os olhos para a ignorância, aquele que se desfaz das amarras de Mara (Ilusão). Este mundo é repleto de ilusões e ignorância... E, por estarmos imersos nesse mar de mentiras e falsas concepções, nós sofremos. Sofremos por nossa solidão, sofremos pela morte daqueles que amamos, sofremos pela dor da perda de algo estimado e tantas coisas. Sofremos até mesmo porque estamos sofrendo! Desperto, então, é aquele que consegue abrir os olhos e deixar essa ilusão para trás. Desperto é quem consegue se despir do sofrimento.

Mas como pode alguém despertar? Para aqueles que se encontram no Complexo do Patinho Feio, a estes já posso dizer - você já está despertando! Pois, para despertar, você precisa, antes de tudo, se questionar. Há um ditado que diz: há três tipo de sofredores - aquele que não sabe e não pergunta; aquele que sabe e não pratica; e aquele que sabe mas não ensina. Logo, para sair do patamar de "sofredor", primeiro é preciso perguntar para saber, e então praticar para, por fim, ensinar. Só assim, estaremos livres do sofrimento.

Namaste!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Os Deslocados



Muitas pessoas experimentam a sensação de serem postas de lado pelos outros. Muitas delas, por terem pensamentos e expressarem posturas diferenciadas, são excluídas de um grupo social. Esse deslocamento é comum para quem sofre o Complexo do Patinho Feio... E, com isso, muitas chegam a desenvolver um quadro depressivo. Um jovem que prefere passar suas noites em casa, assistindo um filme ou mesmo estudando pode ser não tão bem recebido por seus colegas de sala. Um homem que diz que não gosta de carros ou futebol muitas vezes é ridicularizado pela maioria. Tudo porque um jovem atingiu a consciência de que lhe seria mais proveitoso permanecer em casa ao invés de farrear com os colegas, ou porque o homem percebeu que o futebol nada teria a lhe acrescentar e carros degradam o meio ambiente e isso não lhe parece interessante. Essa sensação de deslocamento é comum em pessoas cuja consciência se encontra em processo de "despertar".

Despertar é perceber a verdade do mundo a nossa volta. É também perceber o mundo dentro de nós, e mais ainda - o mundo dentro do outro! Esse processo é diferenciado de cada pessoa para cada pessoa, mas quase sempre se incia por uma pergunta, por algo que estala nossa mente e aguça nossa curiosidade para conhecer o que está além de nossos olhos... E, quando começamos a despertar, a primeira verdade e mais assustadora que percebemos é esta: estamos sozinhos. Sozinhos porque passamos a nos perguntar coisas que a maioria das pessoas não quer perguntar. Sozinhos porque surgem ideias que outras pessoas não compreendem! Parece que não há ninguém no mundo que nos compreende. E isso dá medo!

É importante que você saiba que não está sozinho. Paciência é importante. Quando isso aconteceu comigo, eu tinha seis anos... Passei a minha infância e adolescência preso a essa solidão, acreditando que não podia contar com minha família, nem com a maioria dos meus "amigos". Sempre que eu começava a falar sobre "como seria ver o mundo pelos olhos de outra pessoa?", eles se afastavam ou diziam "deixa de bobagem...". Eu achava que o mundo não queria saber da minha opinião. Mas isso não é verdade. Um dia eu percebi que estava longe de estar sozinho! Primeiramente, eu tinha a mim mesmo. E meus amigos, amigos de verdade, sempre estiveram lá. Meus familiares também. Sim, é verdade, eles não estavam compreendendo o que havia comigo... Mas a verdade é que eu também não sabia explicar. Então, calma! Respire fundo e paciência. Estar deslocado, ou se sentir deslocado, significa que você simplesmente não está no lugar certo. Por isso, acalme sua mente, que você vai ver o seu verdadeiro lugar - o canto que pertence a você. Mas, primeiro, você precisa encontrar esse cantinho de paz dentro de seu próprio coração... O resto, simplesmente vem.

Namaste!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O Complexo do Patinho Feio


Quem não conhece a história do Patinho Feio? Era uma vez um patinho que vivia triste pelos cantos, pois era visto pelos outros como o diferente. Era repudiado por seus irmãos e mesmo por sua mãe, que mal suportava olhar para ele. Todos viviam a comentar e maldar sobre a feiura daquele pobre pato.  Ninguém queria ser seu amigo. E qualquer um que olhasse para ele só poderia pensar uma coisa: como ele é estranho! E assim o patinho cresceu, vivendo dia após dia em sua triste solidão... Até o dia em que olhou para o céu e viu vários cisnes voando, e os admirou: "Que belos são eles!". Mas logo abaixou sua cabeça, triste por lembrar de sua própria feiura... Foi quando viu seu reflexo no lago, e espantou-se! Pois durante todos esses anos, preso à sua tristeza, jamais parou para admirar quem ele realmente era e perceber a verdade mais simples: ele jamais foi um pato - ele era um cisne!

Claro que essa é a minha versão do conto, mas o que vale aqui é sentido da coisa: há muitas pessoas que sofrem na vida o Complexo do Patinho Feio. (hã?) É isso mesmo. São pessoas que veem a vida com olhos diferentes, e que acreditam em coisas diferentes do usual, que vivem por princípios que são estranhos à maioria das pessoas. Pessoas que, por suas crenças e ideias, são estranhos à sociedade, e assim como o "patinho" do conto, são repudiadas e diminuídas. Algumas dessas pessoas tem a graça de se olhar no espelho um dia, e perceber que é verdade, elas são diferentes - em uma sociedade de patos, elas são os cisnes! E assim encontram refúgio na grandeza de si mesmos, tornando-se um diferencial na sociedade. Pessoas como Sidarta Gautama (O Buda), como Jesus Cristo, como Nelson Mandela e Gandhi. Todas elas passaram por isso em algum momento - foram olhadas com estranheza, tratadas com aspereza e tidas como loucas por aqueles que não conseguem compreender a grandeza por trás desses nomes.

Quando uma pessoa chega a um certo nível de consciência, ela passa a ser encarada com estranheza. Até por falta de compreensão das pessoas ao seu redor, passa a ser escanteada, mal olhada, e chega até a acreditar que o problema está nela. Só que não. Isso acontece, por exemplo, quando em uma família de carnívoros, o filho mais novo chega e diz "quero me tornar vegetariano". É muito comum ele ser olhado com estranheza, e sofrer piadinhas e brincadeiras do resto do grupo. Mas ele está errado? Ele chegou ao nível de consciência onde percebeu que comer carne não era bom para si, seja por convicções religiosas ou pessoais. Por não compreender isso, a sociedade passa a o tratar como um "patinho feio".

Jamais tenha vergonha ou medo de assumir as convicções que seu coração sabe serem certas. Não deixe que o peso dos olhares de estranheza dos outros tirem o brilho de suas ações. Se você sabe que é certo, faça! Pois, como diz a frase, "o certo é o certo, mesmo que ninguém esteja fazendo. O errado é errado, mesmo que todo mundo esteja fazendo". Viva pelo certo, pois a única pessoa que vai prestar contas por suas ações é você mesmo. Não tenha medo de ser o cisne. Não tenha medo de ser você.

Namaste!

Bem Vindos!


A todos os que visitam este blog, meus cumprimentos!

Às vezes, enquanto caminhamos por essa existência, acabamos por nos deparar com perguntas que nos tiram  a paz. Alguns de nós, durante essa transitória caminhada, passam por uma terrível fase de solidão enquanto, em suas mentes, dúvidas sobre questões de vida consomem suas almas. Quem sou? O que sou? Por que sou? De onde vim e para onde vou? Céu e inferno? Deus existe? Quem é Deus? O que é Deus?... Acho que cada um de nós tem a sua própria pergunta e seu próprio dilema. Não sou nenhum mestre, nem ouso me declarar detentor de alguma verdade. A única verdade que ofereço é aquela que sinto, fruto de minhas experiências e reflexões que passei na vida. Então, se você acha que está sozinho, e que ninguém mais no mundo é capaz de lhe compreender, seja bem vindo! Espero que minhas palavras possam lhe trazer um pouco de conforto e ajudar a encontrar a resposta que busca. Se não, se você é apenas alguém que tropeçou por acaso aqui, também seja bem vindo! Leia a vontade e deixe sua opinião. E, a todos vocês, uma boa leitura!

Namaste!