Translate

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Dos Prazeres e o Desejo

Dos Prazeres e o Desejo


Imagem retirada do Google
Buscamos a felicidade como meta última em nossa existência. O ser que vive tende a este comportamento por própria natureza, sempre procurando por aquilo que lhe faz sentir bem. Sentir prazer, assim, faz-se um objetivo em cada atividade: ver coisas bonitas, tocar coisas agradáveis, ouvir coisas boas, cheirar bons perfumes, comer coisas gostosas... O desejo é como uma máquina poderosa, que nos move, nos tira de nosso sono, nossa inércia, e nos lança numa busca sem fim pela sensação do prazer, seja por qual forma ele se manifeste. Essa máquina é a responsável por nossa evolução física e material, que nos tira de nossa zona de conforto para galgar nossos objetivos. Ironicamente, também é a nossa prisão.

O prazer é o que nos cega para a verdade da vida. Buscamos tanto pelo gozo dos sentidos que abandonamos a realidade para nos focar no futuro, quando desfrutaremos de um prazer, ou nos perdemos no passado, relembrando outros momentos de satisfação. E, enquanto não estamos imersos neste gozo, sofremos e nos sentimos vazios, incompletos, dispostos a buscar novamente algo que nos faça sentir bem. Assim nos afundamos num ciclo vicioso de nascimentos, vida após vida, impossibilitados de prosseguir por estarmos presos neste mundo material, presos à vontade de sentir novamente aquele segundo de êxtase perfeito... Cegos pelo desejo, ficamos aprisionados na carne, e tudo isto nos parece normal.

É impossível ser feliz enquanto se estiver preso na busca pelo desejo. Pois todo prazer deste mundo é passageiro, pois passageira é a natureza material. Logo, toda sensação de gozo que sentimos irá esvanecer eventualmente, e seremos consumidos pelo desejo eterno de alimentar o próprio desejo. Quanto mais nos entregamos a isto, mais forte este ciclo se perfaz em nossa vida. E quebrá-lo não é fácil... Mas apenas fora dele é que podemos encontrar uma verdadeira felicidade.

Felicidade não consiste num momento. Ela não pode ser alcançada pela mera satisfação dos sentidos. Para alcançá-la, precisa-se de uma plenitude espiritual. Felicidade é um delicado equilíbrio entre o bem estar do corpo e da alma. Se alimentarmos apenas o desejo material, não haverá satisfação do espírito. Tampouco podemos estar bem se vivermos unicamente para a alma, esquecendo de manter o corpo físico. Reconhecendo isto, precisamos quebrar a prisão do desejo. Este processo não é fácil, mas é possível - não devemos alimentá-lo. Reconhecê-lo, apenas. E focar nossa mente em outro ponto. Uma mente fraca não é capaz de se libertar, por isso, é preciso treiná-la. Treiná-la para permanecer no momento presente, e não se perder em devaneios, memórias e pensamentos estranhos. Treiná-la para alcançar o nirvana - a libertação da matéria, através do desapego gradual da raiz de todo sofrimento mundano: o desejo. Para isso, não negue sua natureza - reconheça-a. Aceite-a. Mas não alimente - mude seu foco.

Namaste!

Nenhum comentário:

Postar um comentário