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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Limite das Virtudes



"A bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade. Porque a paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência. Porque a serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença. Porque a tolerância que nunca replica não é tolerância: é imbecilidade". Somos humanos, e por isso, experimentamos o "sentir". Sentir raiva, sentir ansiedade, sentir medo... Tudo isso faz parte do processo de existir. Para isso, precisamos educar nossas mentes e corações, pois, à medida que nos entregamos a estes sentimentos, damos mais passos em direção ao sofrer. Por tanto, bondade, paciência, serenidade e tolerância para com os outros é preciso em face de nos tornarmos criaturas melhores. Porém existirá um limite para esses sentimentos?


Há um provérbio chinês que diz "Wu ji bi fan" - "quando algo chega ao extremo, torna-se seu oposto". Essa frase se tornou popular graças ao filme Karate Kid (2010), embora ela realmente exista de verdade. Ao praticarmos qualquer atitude, devemos sempre buscar um equilíbrio, vez que o extremo é perigoso. Isso é em todos os momentos da vida - na religião, na fala, nos comportamentos... Se levamos uma prática religiosa ao extremo, corremos o risco de nos tornarmos fanáticos e passarmos a disseminar ódio entre aqueles não-praticantes, quando na verdade os mandamentos divinos de qualquer religião indicam que disseminemos o amor, do mesmo modo que, se não nos esforçamos para seguir, nossa fé se torna apenas "de boca". Também quando buscamos praticar um comportamento correto, se somos muito duros com nós mesmos e os outros, encontraremos a frustração sempre que nos depararmos com o erro ou quando não conseguirmos conter nossos atos, da mesma forma que, se não nos esforçarmos, jamais agiremos pelo caminho correto. Logo, qualquer virtude, mesmo a paciência e a tolerância, deve ser comedida.

Na prática do "Caminho do Meio", devemos sempre buscar a conduta correta, e ensinar essa conduta àqueles que estão ao nosso redor. Devemos sempre, também, respeitar a nós mesmos e aos outros. Compreenda que todos são falhos, inclusive você. E durante a caminhada da vida, tropeçar nas pedras do caminho é inevitável. Não há um que exista nesse mundo que não tenha sofrido nem que não irá sofrer. A dor faz parte do viver. O que precisamos aprender é que ela é apenas uma parte, e não o todo - que, ao tropeçarmos em uma pedra, sempre poderemos nos levantar e continuar nosso caminho, sem ficar preso àquele tombo. Momento presente é isto. É reconhecer que a vida segue, mesmo que cometamos nossos erros. Sempre que errar, aceite que errou, assim poderá aprender mais com sua atitude e seguir adiante, evitando tropeços mais à frente.

Em nossa conduta, esse caminho do meio também se aplica à prática das virtudes. Ser sempre bom, tolerante e paciente com o outro não significa aceitar tudo o que lhe fazem em silêncio. Em uma formação moral razoável, aprendemos que, quando uma pessoa lhe pratica uma ofensa, não devemos revidá-la com outra ofensa. É verdade... Mas também não devemos nos silenciar diante disto! Quando nos tornamos passivos diante do mau, não estamos evitando o sofrimento - estamos o intensificando. Se algo nos incomoda, a primeira atitude que devemos tomar é falar. Se não resolve, então busquemos outro meio de resolver. Se podemos, então, que nos afastemos da causa de nosso sofrimento. Mas, se não podemos, então, vamos compreender a causa. Assim, saberemos qual o melhor caminho para resolvê-la. Pergunte "por que sofro?", e tente entender o que te machuca, e o porque dele te machucar. Ser bom, paciente e tolerante não é se calar diante da dor, mas sim usar de sua inteligência para resolver o conflito sem provocar mais dor a si mesmo ou ao outro.

Namaste!

2 comentários:

  1. muito bom esse artigo, tava exagerando nas minhas atividades e lembrei dessa frase .

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  2. Muito bom mesmo, artigo repleto de ensinamentos para nossa vida.

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